Diferentemente do que vocês possam pensar, a maior parte das resenhas daqui do blog não tem gifs. Por favor, não comentem da falta deles :)
Esta resenha é parte integrante do Desafio Clássico! Participe! Ainda dá tempo :) É só ler seis livros antes de agosto do ano que vem. Lembrando que dia 28 agora (segunda-feira) tem mais um Ponto de Parada.

Autor: F. Scott Fitzgerald
Tradução: Vanessa Barbara
Páginas: 256
Selo: Penguin
Preço: R$ 25,00
Sinopse retirada do site da Cia das Letras.

Nos tempos de Jay Gatsby, o jazz é a música do momento, a riqueza parece estar em toda parte, o gim é a bebida nacional (apesar da lei seca) e o sexo se torna uma obsessão americana. O protagonista deste romance é um generoso e misterioso anfitrião que abre a sua luxuosa mansão às festas mais extravagantes. O livro é narrado pelo aristocrata falido Nick Carraway, que vai para Nova York trabalhar como corretor de títulos. Passa a conviver com a prima, Daisy, por quem Gatsby é apaixonado, o marido dela, Tom Buchanan, e a golfista Jordan Baker, todos integrantes da aristocracia tradicional.
Na raiz do drama, como nos outros livros de Fitzgerald, está o dinheiro. Mas o romantismo obsessivo de Gatsby com relação a Daisy se contrapõe ao materialismo do sonho americano, traduzido exclusivamente em riqueza.
Aclamado pelos críticos desde a publicação, em 1925, O grande Gatsby é a obra-prima de Scott Fitzgerald, ícone da “geração perdida” e dos expatriados que foram para a Europa nos anos 1920.

Um dos livros que eu sempre quis ler na minha vida foi O Grande Gatsby. Não sei ao certo porquê, no início, mas depois que peguei um livro de contos do autor (24 contos de F. Scott Fitzgerald, da Cia das letras também) e simplesmente adorei cada um dos contos que eu li (não, ainda não li todos. Estou guardando, leio um pouquinho a cada ano. Me deixem), tive mais motivos para querer ler este livro que chamam de “O Grande Romance Americano”.
Ok, o lance de chamar livros de “o grande romance americano” é meio idiota, mas eu acredito que se tem um autor que consegue captar a atmosfera dos anos vinte com perfeição, é o Fitzgerald. Foi a impressão que tive com os contos, foi a certeza que obtive com o livro. São poucos autores que conseguem captar o espírito da sua própria época com tanta destreza e de uma forma tão interessante.
Começo dizendo que quem está acostumado com livros cheio de ação e acontecimentos de tirar o fôlego provavelmente não gostará desse livro. As histórias do Fitzgerald são sobre pessoas. E O Grande Gatsby é um recorte de uma parte da vida do narrador, Nick Carraaway, contando a história de como conheceu o homem que dá nome ao romance, de como se tornou amigo dele e de como os dois estavam mais conectados do que imaginavam. O livro é em primeira pessoa, então o que vemos são as impressões que Nick tem sobre Jay Gatsby e o mundo e não os fatos.

Essa escolha é o que torna a narrativa mais rica, como quando você escuta um amigo contar uma história sobre outra pessoa. É o que torna Jay Gatsby mais mítico, como uma figura quase de contos de fada. Talvez se o livro fosse contado do ponto de vista de Gatsby não fosse tão interessante quanto é, porque não haveria tanto mistério ao redor da sua pessoa. E uma coisa que aprendemos lendo o livro é que o mistério é o que torna Gatsby real.
Olha só, agora quem está devaneando sobre Jay Gatsby sou eu. Que tolice a minha.
Prosseguindo, muitas pessoas enquanto eu lia diziam que odiavam a Daisy Buchanan, uma personagem que tem um destaque importante na história, mas não, eu não a odeio. Eu adoro a futilidade e a levianidade que ela tem, adoro como ela é descrita, adoro o papel dela na história. Na verdade, adoro todas as mulheres do Fitzgerald, adoro o glamour e o ar blasé que elas têm. Talvez não sejam as mulheres dele e sim as mulheres da década de vinte, mas como eu posso saber?
Talvez você não goste do livro tanto quanto eu gostei. É meio inexplicável a minha atração pela década de vinte em geral e histórias que se passam ali. É tudo tão ingênuo e supérfulo, como se eles quisessem tirar o atraso dos anos da guerra e achassem que nada poderia ser pior do que aquilo. Quase como se ali fosse o começo de décadas de glória, que só iriam subir e subir, como se nada mais pudesse dar errado. Como se quisessem viver as vidas que foram perdidas nos campos de batalha. Essa é a impressão que O Grande Gatsby me passa, além de sua mensagem maior: do que adianta dinheiro, fama e tudo o mais se você não é feliz, se as pessoas não se importam de verdade com você? Se depois, não sobra quase ninguém para se lembrar de você?
Sobre a edição da Penguin – Cia das Letras, achei a tradução muito boa, sem perder o estilo do autor e com notas explicativas úteis sobre o contexto da história e os trocadilhos que o autor fez. Além disso, tem uma introdução excelente (só leia se já tiver lindo o livro) analisando o livro e comparando com outras obras do autor.
Por fim, o livro já teve trocentas adaptações cinematográficas e tem uma programada para o ano que vem, com o Leonardo di Caprio como o Gatsby, oTobey Maguire como Nick Carray e a Carrey Mulligan como Daisy Buchanan, com direção do Baz Luhrmann (Moulin Rouge, Romeo+Juliet). Apesar de ter visto muitas reclamações por aí (o povo sempre reclama), estou muito ansiosa por esse filme. Quem sabe vocês não tem a oportunidade de ler antes do filme lançar? (E o filme vai ser em 3D. Por quê não deixam o 3D para produções de ação/terror/infantil? Por quê eu iria querer ver uma história passada na década de 20 em 3D? Por que não filmam em película e mostram em cinemas antigos, com cadeiras de veludo vermelho e pausar para o banheiro?)
Essa é uma das fotos que saiu da adaptação mais recente.

“Gatsby acreditava na luz verde, no futuro orgástico que, ano após ano, costuma recuar diante de nós. Ontem fomos iludidos, mas não importa – amanhã correremos mais rápido, esticando os nossos braços mais além…”

Ah, para quem for de Brasília, dia cinco de dezembro tem o Clube de Leitura Penguin & Cia das Letras com esse livro! Para quem tiver lido e tiver interesse em ir :)

Classificação geral: Cinco automóveis amarelos.