“Dez anos atrás, numa noite de inverno, Kate, Michal e Emma foram tirados de suas camas às pressas, perseguidos por criaturas estranhas e levado para longe. Nunca mais viram seus pais e passaram todo esse tempo de orfanato em orfanato, sem nunhuma explicação para o que havia acontecido.
Um atlas encantado surge agora no caminho dels, prometendo revelar as respostas de todas as suas perguntas. A jornada dos irmãos passa por uma terra habitada por gigantes, anões, lobos famintos e crianças prisioneiras de uma condessa que é a fonte de todo o Mal.
Essa é a história de três crianças que só queriam salvar sua família e acabam tendo que salvar o mundo.

***

Eu queria ter demorado menos para ler esse livro, mas eu estava no meio de uma ressaca literária e uma semana de provas decisiva.
É um livro bem divertido, bem middle-grade. É como uma mistura de A Wrinkle In Time e Desventuras em Série.
Se você gosta de conflitos sangrentos e reflexões metafísicas, obviamente, não é o seu livro. É para se distair, um daqueles livros “família” que são ótimos.
É bem legal, mas existem ressalvas. Ele puxa para o lado de A Wrinkle In Time, e tem algumas situações que são surreais. Existem viagens no tempo e no espaço, e o cenário do livro muda o tempo inteiro. Isso pode deixar o livro meio confuso para alguns, mas nada que uma leitura cuidadosa não resolva.
Eu também achei o sobrenome das crianças meio sem-noção, é somente a letra P. O prólogo do livro mostra dois adultos, que não são os pais das crianças, discutindo em como iam mudar o sobrenome das crianças. Isso não é um ~~grande problema~~ nem nada, mas faz a gente pensar: “COMO diabos você muda o sobrenome de alguém, para somente uma letra e ninguém desconfia que é falsificado?”
De qualquer maneira, eu deixei pra lá. Isso não compromete o livro, apesar de ser meio esquisito.
Outra coisa que me incomodou foi o excesso de diálogos diretos, um atrás do outro. Ele não desenvolve muito bem as ações entre diálogos, o que me deixou meio irritada. Isso é mais uma coisa pessoal, mas eu fico irritada quando leio coisas que são assim [diálogo totalmente fictício, os diálogos do livro são muito melhores]:

- Você acha que Atlas Esmeralda é um ótimo livro? – Kate perguntou:
- Sim, eu acho que é um livro muito bom.
- Ooh, que ótimo e BLÁ BLÁ
- Blá, blá

Eu não sei se eu fiquei irritada com isso porque eu estava/estou de mau-humor, mas eu acho que tem que ter pelo menos alguma coisa entre um travessão e outro. Tipo:

 - Você acha que Atlas Esmeralda é um ótimo livro? – Kate perguntou.
Emma olhou para o céu, e percebeu como ele não estava nem azul, nem cinza, e sim num tom intermediário entre as duas cores, e então respondeu:
- Sim, eu acho que é um livro muito bom e BLÁ BLÁ BLÁ

Não sei, acho que eu estou sendo apenas chata. Talvez ele tenha feito isso para deixar tudo mais rápido e dinâmico, e isso fica bem menos frequente do meio para o final do livro.
 O que eu mais gostei no livro, com certeza, foi que os personagens têm personalidades muito bem desenvolvidas. Os três órfãos são muito carismáticos, cada um com suas características específicas. Eu fiquei encantada com o jeito protetor da Kate, com a nerdice do Michael e com o jeito durão da Emma.
Eles são muito fofos!

O argumento da série também é interessante, três livros que contolam o mundo. Tem gente que torce o nariz para essas aventuras de “três crianças salvam o mundo”, mas Atlas Esmeralda é um pouco diferente do resto do gênero. É fantasia pura, mas tem uma abordagem diferenciada. Como eu falei no começo da resenha, é bem imaginativo, e tem vários personagens e cenários. Apesar de existirem muito livros com o mesmo mote, poucos deles apresentam viagens no tempo de um jeito tão legal quanto Atlas Esmeralda. Se as pessoas viajam no tempo, normalmente é por uma máquina ou por um portal, e não através de um livro e uma foto.
E outro ponto positivo: ao invés de se focar somente nos três irmãos, como é comum, o livro vive apresentando novos personagens. Mesmo o elenco de apoio é bem aproveitado, e todo mundo interagem muito bem entre si. A narrativa, apesar do probleminha com os diálogos (que nem é um problema de verdade), é bem gostosa e engraçada. Além de que tem uma cena muito genial envolvendo anões e minas subterrâneas.

Booktrailer: