Editora Rocco
Lançamento dia 29/08 (É, HOJE!)
Tradução: Maria Beatriz Branquinho da Costa

 Keenan tem um problema. Durante séculos está a procura de uma menina especial, de uma menina que terá o poder de se juntar a ele na Corte do Verão e se tornar a sua Rainha do Verão, para contrabalancear o poder da sua terrível mãe, Beira.
Aislin também tem um problema. Ela consegue ver criaturas mágicas. Está no seu sangue, na sua família. E existem regras básicas para mantê-la viva: não fale com as fadas, finja que não as viu, não chame atenção delas.
Mas quando Keenan começa a persegui-la, Aislin vê todas as regras pelas quais viveu virarem de cabeça para baixo.
E precisa de cada grama da sua força de vontade para resistir aos encantos de Keenan.

Eu já havia lido Wicked Lovely em setembro do ano passado, quando fui pro México. Como a Bia já tinha feito uma resenha dele, não o resenhei. Mas aí surgiu a oportunidade de lê-lo em português e eu soube que não podia deixar ela passar.

O negócio é que Terrível Encanto é muito legal. Primeiro porque são FADAS e segundo porque ele foge (de forma MUITO feliz) da receita humana encontra criatura sobrenatural e cai de amores por ele.

Mas vamos com calma, tudo bem?

O livro é narrado em terceira pessoa, alternando pelos pontos de vista dos personagens. As vezes nós vemos o lado de Aislin, as vezes do de Keenan, as vezes o de Donia. E essa forma faz com que entendamos o lado de todos eles, mesmo que não concorde com o que as pessoas fazem. Por exemplo, o Keenan é insuportável para mim até bem perto do final, mas dá para entender porque ele age como age. Ele está desesperado depois de séculos sem achar a pessoa que vai torná-lo um Rei com poder o suficiente para contrabalancear o Inverno que é governado pela sua mãe, então chega ao ponto de… bem, fazer o que ele faz.

Quanto a nossa protagonista, ela é uma garota assustada. Também, depois de anos vendo o que ninguém vê, fingindo que não os vê, fingindo não se importar quando vê alguma criatura mágica fazer horrores com outra ou com algum humano… Eu também ficaria assustada se fosse ela. E o medo se torna ainda maior quando Keenan aparece, porque ela acredita que fadas da corte são ainda piores do que as fadas comuns. Mas ainda assim, Aislin consegue fazer alguma coisa. Ela pode até estar desesperada, sem saber o que fazer, mas ela se recusa a “cair” sem lutar. Isso não significa que ela soque todo mundo, mas que ela resiste. E, além disso, quem Keenan acha que é para chegar do nada tentando seduzi-la quando ela já gosta de alguém?

Aí entramos em outro personagem, que é o meu favorito no livro inteiro: Seth. Seth é um humano comum, sem a visão, sem nada de especial. Mas ainda assim ele compete de igual para igual com Keenan. E, não, essa história NÃO é um triângulo amoroso. Para que seja, é necessário que tenha interesse amoroso entre todas as partes envolvidas, e não é o caso. Isso é uma das coisas que torna a história tão diferente e interessante.

Além do Seth, tem a Donia, a menina do Inverno. Não vou entrar em detalhes sobre como ela virou isso (spoilers), mas ela é muito bem construída. Toda a sua luta interna, toda a sua dor, toda a frustração de estar presa onde está… E ainda assim, ela consegue ser forte e fazer o que tem que fazer. Aliás, isso é uma característica de todos os personagens. Todos eles são fortes e lutam pelos seus interesses.

Quanto a história, não vá esperando um romancezinho “eu te amo, você é minha vida agora” que você certamente irá se decepcionar. O livro é basicamente a história de uma menina que é jogada numa disputa secular por poder, sem que ninguém pergunte nada a ela sobre isso. E é sobre como ela consegue contornar isso, usando tudo o que está ao seu dispor, com um final que é lindo.

“Você, eu, nós não somos anda no mundo deles além do que podemos significar para Keenan.”

Ah, uma outra coisa legal do livro é que cada capítulo começa com uma citação de algum livro sobre criaturas mágicas, citando a Visão, as cortes… Isso é uma boa forma de dar um pouco de informação sobre os assuntos para quem não conhece. De qualquer forma, a maior parte das pessoas não tem muito conhecimento sobre fadas, mas isso não prejudica em momento algum a leitura. Talvez a pessoa estranhe um pouco a “maldade” de algumas criaturas, ou a futilidade, ou sequer saiba das REGRAS, mas depois você se acostuma. O legal de livros de fada (e Terrível Encanto não é exceção) é que há uma diversidade de criaturas e de coisas a se explorar que torna a história muito mais rica e as locações e descrições muito mais detalhadas.

Dito tudo isso, Terrível Encanto é um daqueles livros que você tem que ter para reler de vez enquanto e lembrar que não importa o quão difícil as coisas estejam, com pessoas que possam te ajudar e esperança, você vai conseguir resolver. Bem, pelo menos é essa a mensagem que o livro trouxe para mim.

E que venha Ink Exchange!

Sobre a edição brasileira e observações:


Olha só, talvez a primeira vez que resenhamos um livro que a MESMA pessoa leu em inglês e em português e isso é algo que vocês pediram (muito).
A Rocco tem uma fama de ter algumas traduções esquisitas e muita gente já fica de pé atrás quando vê que ela é a editora. Isso procede em alguns casos (como em Jogos Vorazes), mas em outros é um medo infudado.
Como em Terrível Encanto.
O livro foi bem traduzido, tomando cuidado com as diversas criaturas encantadas que aparecem e não se perdeu nada. Além disso, o texto ainda tem a mesma característica do que o da autora. Como recebi a prova, vi um ou outro erro de digitação apenas, que acredito que tenham sido corrigidos na versão final, que é a que vocês vão comprar.

Sobre o livro, ele é o primeiro de uma série. O próximo, Ink Exchange, é sobre a Corte das Trevas (e todo mundo me disse que é bem mais sombrio que Terrível Encanto). Você provavelmente está se perguntando qual é a desses livros, cada um falando de uma corte diferente, mas não se preocupe. Os dois primeiros livros aparentemente servem de base para os três últimos, quando as coisas ficam complicadas de verdade. Bem, pelo menos segundo as sinopses que eu li. Estou com o segundo aqui para ler e devo terminar até o fim do ano, então vocês provavelmente vão ver uma resenha por aqui.
De qualquer forma, acredito que não tem problema ler só o Terrível Encanto. Ele termina de forma bem fechadinha.