“Era uma noite escura e tempestuosa. É nessa noite que uma visitante estranha aparece na casa da família Murry, e leva Meg, seu irmão Charles Wallace e o seu amigo Calvin O’ Keefe para uma aventura extraordinária e perigosa – que irá mudar o curso de suas vidas e do nosso universo.”
A primeira vez que eu vi esse livro, escondido numa prateleira na Cultura, foi amor à primeira vista. Eu estava num momento particularmente consumista com a Bell, e não tinha como eu não levar A Wrinkle In Time.
Tudo naquele livro me chamava atenção, desde a capa – simples, e ao mesmo tempo linda – até o título.
Foi um encanto.
Eu decidi comprar, sem mesmo pensar duas vezes. Isso normalmente dá certo, mas nem sempre esse método é bom, como mostra a vez que eu comprei Eye Of The World, da série Wheel Of Time. A capa é maravilhosa, mas eu não consegui passar da página 60. Alguém aí que é fã da série pode me dar uma palavra de incentivo?
Enfim, o que importa é que eu me apaixonei por A Wrinkle In Time. A sinopse é meio boba – lembrando que é um livro de criança -, mas a história é maravilhosa. Tão maravilhosa que é difícil encaixá-la numa definição.
Seria uma ficção-científica? Ou uma fantasia? Ou uma fábula?
Pra mim isso não importa. A Wrinkle In Time tem aspectos de todos esses três gêneros literários. Da ficção-científica, tem a imersão do leitor em um mundo novo, com regras pautadas na ciência. Só que ao mesmo tempo é imaginativo o suficiente para ser classificado como fantasia, e passa uma mensagem bem parecida com a das fábulas.
Um certo rapaz espinhento, pedante e detestável da minha sala, após me ver lendo o livro, disse que “não tinha entendido nada” quando leu a sinopse, e que eu deveria parar de ler coisas tão infantis.
Primeira reação:
Segunda reação:
Alguém explica para essa criatura que vários dos grandes livros da história são livros “de criança”? Alguns poucos exemplos:
Harry Potter, Viagens de Gulliver, Senhor dos Anéis, Oliver Twist, Robinson Crusoè, Apanhador no Campo de Centeio, Senhor das Moscas, David Copperfield, Reinações de Narizinho e… A Wrinkle In Time.
Pra mim, é um dos melhores livros já escritos. Porém, infelizmente, a Wrinkle In Time é um clássico esquecido. Marcou uma geração, mas hoje em dia nunca é lembrado. Eu indico ele para todo mundo, de qualquer idade.
Com certeza vai fazer você pensar nos seus supostos defeitos, inseguranças e em como você é incrível do jeito que é. Mesmo que você tire notas baixas, seja impaciente, tenha um cabelo com frizz, tenha um nariz “feio”, ou se ache gordinha. Qualquer coisa que você e os outros tentam apontar como falha, mas que só te deixam mais único(a) e maravilhoso(a).
O maior mérito do livro da Madeleine E’ngle é que, como os seus personagens, ele não se encaixa em um padrão. Ele foi rejeitado em várias editoras, porque era “diferente demais”. Eu mesma demorei um pouco a me adaptar com o estilo do livro, onde nada é impossível, e o universo é o limite.
Em várias partes A Wrinkle In Time me lembrou Doctor Who, naqueles episódios que o Doctor vai para um planeta distante, com alguma sociedade distópica. A intenção de Madeleine é te fazer sentir um estranho numa terra estranha.
No final, a mensagem é que todos nós somos iguais, de maneiras diferentes. Tanto Meg, quanto Charles Wallace e Calvin se sentem deslocados, apesar de serem de não serem iguais entre si.
As três velhas bruxas (Mrs. Whatsit, Mrs. Who e Mrs. Which), que levam os três protagonistas para a viagem são totalmente esquisitas e cheias de manias, mas são poderosíssimas. A Mrs. Who, por exemplo, só fala por meio de citações. Aí embaixo estão minhas favoritas:
” As paredes tem ouvidos. Portuguese. The walls have ears.”
“ La experiencia es la madre de la ciencia. Cervantes, my dears. Experience is the mother of science.”
” [coisas em grego]. Euripedes. Nothing is hopeless, we must hope for everything.”
P.S: Então, eu gostaria de abrir um parêntese para falar que eu fiquei muito irritada com o tratamento que a Wrinkle In Time teve no Brasil. Primeiro que ele foi originalmente publicado em 1963, e só chegou por aqui em 2000. Segundo que ele foi condensado para ser palatável para um público ainda mais novo, e foi rotulado como uma bíblia para crianças.
Eu odeio quando uma editora pega um livro aleatório e tenta vender com uma proposta totalmente diferente da autora. Nada contra ficção cristã, mas esse não é o gênero de Wrinkle In Time! Existem algumas (na verdade, só uma) referências ao cristianismo no livro, mas são tão poucas que eu nem acho relevante citar. Crônicas de Nárnia tem muito mais e nem por isso foi rotulado desse jeito.
Wrinkle In Time é muito mais do que isso, é uma aventura maravilhosa que vai além de barreiras como idade e religião. É indicado para qualquer um que já se sentiu fora do lugar, ou seja, é universal. Para uma leitura mais completa, eu indico o original em inglês, que tem uma linguagem bem fácil.
P.PS: E só eu amei o trocadilho da autora? Segundo ela, para viajar no tempo e no espaço, você tem que dobrar o tempo, por isso o wrinkle (que quer dobra, franzido) do título. Mas wrinkle também pode ser “ruga”, fazendo referência às três velhas bruxas.
*Os livros mais memoráveis da nossa infância são aqueles que nos fazem sentir menos sozinhos, que nos convencem que os nossos defeitos e fraquezas são únicos como uma impressão digital, mas ao mesmo tempo são universais como uma mão aberta.
PPPS (da Bell): Minhas fontes me informaram que Uma Dobra no Tempo será relançado no Brasil pela Editora Rocco ainda nesse ano!
Não fiquem tristes de não poderem ler em inglês.
PPPPS: Esse é um dos livros favoritos da Suzanne Collins, autora de Jogos Vorazes.



























Giu Fernandes
7 de agosto de 2011
Bia!
Adorei, de verdade, a sua resenha!!
Eu tenho um livro da Madeleine L'engle chamado And Both Were Young, ainda não li e não é tão famoso quanto A Wrinkle in Time, mas deve ser muito bom!
Assim que eu tiver a chance, tb quero ler esse livro!
Beijos!
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Cíntia Mara
7 de agosto de 2011
É, eu já ouvi falar desse livro como ficção cristã para crianças novinhas. Por isso, apesar de amar ficção cristã, eu não me interessei muito. Não que agora eu tenha ficado, apesar da sua resenha super positiva. Acho que é um livro que eu leria se encontrasse na estante de alguém, ou se ganhasse.
Bjs
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Maria Fernanda
7 de agosto de 2011
Nossa, eu amo muito as resenhas daqui, elas são sempre tão empolgadas =D
A história do livro me interessou muito, fiquei com vontade de ler *_*
Eu também detesto quando alguém tenta me "aconselhar" sobre o tipo de livro que eu leio. Outro dia uma pessoa também me disse para parar de ler livros para menininhas (tá certo que eu estava com "Maldosas", "Fazendo meu filme" e "Como treinar o seu Dragão" na mão, tentando decidir qual levar), mas só não reagi como um panda enfurecido porque ela é minha amiga.
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Artemis
7 de agosto de 2011
Muito boa a sua resenha! Fiquei com vontade de ler o livro, mas como não tenho um completo domínio da língua inglesa, então não teria como ler a versão original. A versão em português está tão ruim assim?
Concordo com você em relação ao caso das crônicas de Nárnia… eu havia gostado de todos os livros, mas chegou o último, com todo aquele moralismo cristão nem um pouco sútil… simplesmente estragou o final da história.
Bjs
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le_tih
7 de agosto de 2011
A capa é muito bonita, mas a sinopse não encanta muito. Gostei da história, e acho que dá um ótimo presente <3 Já até decidi pra quem vai ser, em inglês mesmo.
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Priscila Shibahime
7 de agosto de 2011
A PRIMEIRA coisa que eu pensei quando li o começo do post foi 'Doctor Who'. Essa resenha me deu MUITA vontade de ler o livro… por isso gosto tanto desse blog <3
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Bia Carvalho
8 de agosto de 2011
Olá, Cherry!
Meu livro Jardim de Escuridão está em pré-venda, e para você que é blogueira (o), está com um desconto super especial.
R$29,90 (Livro autografado + Marcador) + FRETE
Reserve o seu exemplar!
http://amormisterioesangue.blogspot.com/2011/08/reserve-ja-o-seu-exemplar-de-jardim-de.html
Você ainda não conhece a história??? Segue o link do skoob:
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E se você for do RJ, o lançamento dele será dia 3 de setembro na Bienal!
Conto com você lá!
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Dani
8 de agosto de 2011
Fiquei com muita vontade de ler! Adoro esses livros que meio que passam um sentimento mágico. Foi o que eu senti com "Vida Encantada" da Diana Wynne Jones. Parece até que ler esses livros "mágicos" é diferente de ler meros livros de fantasia.
Beijo.
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Laura A.
8 de agosto de 2011
Quando eu li a sinopse do inicio do post eu lembrei vagamente de peter pan (ok, parei). Eu NÃO SUPORTO quando eu to lendo um livro na sala e alguém pergunta "que livro é esse?" (quando na realidade a pessoa não liga) e fica falando da capa/do título/não entende porque eu leio em inglês. Urgh, que vontade de assassinar o cidadão.
Enfim,a capa do livro é adorável, eu gosto desse estilo de conto de fadas antigo e espero que a capa brasileira não siga um caminho muito diferente (o que provavelmente vai acontecer,mas é uma pena)
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NICKYSPLAN
8 de agosto de 2011
Oi, tava passeando pela net e vi seu blog. Bem, não é assim que fazemos novos amigos? comentando no blog deles hehe Eu também tenho um blog, se quiser passa lá, poto todos os dias. beeeijo PS. Responde pro espinhento: "Pelo menos EU LEIO"
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Dayse D.
8 de agosto de 2011
AAAIN, PARECE TAO LINDO! Eu sempre falo que livros infantis são o ápice da literatura. Uma pessoa tem que ter uma mente MUITO esclarecida para ter a coragem de publicar livro nessa área que é muito criticada injustamente.
COMUNIDADE DOS DEFENSORES DOS LIVROS INFANTIS, HELL TO THE YES!
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a resposta é 42
28 de agosto de 2011
Fã da série Wheel of time aqui.
Peguei a série pra ler com um certo desprezo. Na capa trazia o seguinte dizer "Jordan has come to dominate the world that Tolkien began to reveal".
Achei prepotência, achei que iria odiar o livro. Como eu estava numa viagem comprida sem muito o que fazer e consegui passar da pagina 60 fácil. Perto da pagina 100 eu estava cativado, acabei lendo o livro em 2 ou 3 dias.
Li o segundo na seqüência, também em 2 ou 3 dias e depois fiquei na fissura para comprar os outros volumes e ler.
Hoje quando releio a série, eu curto os momentos como quando o Rand tenta trocar de assunto quando o seu pai lhe pergunta sobre a Egwene(he did not need any more confusion), e como as mulheres de Two Rivers querem arrumar uma esposa para o Tam e até as vezes para o proprio Rand.
Jordan admitiu que fez uso de elementos familiares para introduzir a história. Minha dica é, deixe o conforto dos elementos familiares te conduzir até a pagina 200 ou até o fim do livro. Se divirta com o crescimento dos personagens e suas evoluções. Todos os points of view tem suas características únicas, cada personagem é bem desenvolvido, eles não são genéricos. É uma ótima série. Muito bem escrita.
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