19 e contando…: An Abundance of Katherines, de John Green

Lido em Inglês

Não há previsão para lançamento no Brasil.

Aprovado pelos Nerdfighters

19 Katherines e contando…

Namorar Katherines parece ser o carma de Colin Singleton, um garoto prodígio.
Depois de levar um pé na bunda da 19ª Katherine, Colin é arrastado pelo seu melhor amigo Hassan (um garoto mulçulmano que tem como maior meta da vida ficar em casa assistindo reality shows) para uma viagem de carro pelos Estados Unidos. Enquanto tenta superar Katherine, a décima nona, Colin também busca fazer algo genial – e é juntando esse dois que ele cria o Teorema da Previsibilidade Subjacente das Katherines*, uma tentativa de explicar matematicamente cada uma das suas falhas amorosas.
E é quando encontram o corpo de um arqueduque morto que as suas vidas começam a mudar… para valer.

*Tradução minha para o Theorem of Underlying Katherine Predictability


Fazer a sinopse desse livro sem dar spoilers é uma tarefa homérica, então não se espante se a ler e achar o livro esquisito. Ele é esquisito. Para início de conversa, é sobre um menino prodígio, capaz de fazer anagramas de qualquer frase ou palavra, que só namora Katherines. Depois, envolve o Francisco Ferdinando. E, principalmente, tem um teorema matemático para tentar explicar racionalmente relacionamentos amorosos QUE FUNCIONA (mais ou menos).
Agora, não entre em pânico com a última parte. Embora haja o teorema e ele seja explicado (em um apêndice) com detalhes mórbidos e fascinantes para pessoas como eu, o livro não é matemático e o fato de existir esse negócio maluco só torna a história mais legal. É interessante ver como Colin é obcecado e egocêntrico e um dos instrumentos do John Green para mostrar isso É a teoria matemática.
Eu achei vários aspectos do livro fascinantes, principalmente os personagens. Assim como em Looking For Alaska, eu me diverti muito mais com os outros personagens que não são o principal. O Hassam, por exemplo, é um dos melhores personagens que eu já li na minha vida. Ele sempre me fazia rir com as suas piadinhas e até me identificar um pouco. A Lindsey também é maravilhosa e hilária, assim como todos os outros personagens envolvidos com ela.
Já o Colin é um pé no saco na maior parte do livro. Ele não consegue ver “fora da caixa” na maior parte do livro, sendo meio idiota e irritante. Além disso, vocês devem saber que nerds/prodígios/gênios levam as coisas num nível muito mais dramático e profundo do que as outras pessoas e Colin não é uma exceção. Acho que é por falta de traquejo social ou qualquer coisa assim. Mas ainda assim, ainda sendo um pé no saco, Colin é divertido e eu me identifiquei com ele só um pouquinho (porque, afinal, eu sou um poço de conhecimento inútil e gosto de compartilhá-lo nas ocasiões mais inoportunas). Em alguns aspectos, ele me lembrou o Sheldon de The Big Bang Theory, sempre precisando do Hassam do lado para dar toques de “não, isso não se faz” ou “sim, você está indo certo” – o que me fez pensar COMO DIABOS esse cara teve DEZENOVE namoradas desse jeito. Mas tudo bem. Faz parte.
Outra coisa muito legal são os lugares por onde eles passam e as histórias por trás deles. No início, tudo parece muito absurdo e surreal, mas conforme a narrativa segue, todas as coisas vão sendo esclarecidas num ritmo agradável, que te mantém lendo.
APESAR DISSO, apesar de ter amado os diálogos, a escrita, a teoria matemática, os personagens… a história não me cativou. Para mim foi como se tivessem pego um recorte na vida do Colin, colocado em livro e pronto. Achei que o final, embora seja interessante, foi bastante inconclusivo. A mesma coisa talvez aconteça em Looking for Alaska, deixando algo para o leitor ruminar e concluir depois, mas em Katherines não foi muito efetivo. Talvez porque a mensagem não tenha tanto apelo para mim, talvez porque a mensagem seja idiota, talvez porque eu não concorde. Não sei. Só sei que quando terminou, eu fiquei pensando “Tanta coisa legal… para isso? Para isso ser a história?”. Foi como se a obra estivesse incompleta. Como se você visse uma pessoa sem um braço e ficasse alguns instantes sem saber exatamente o que tem de errado com ela.
Acho que o problema todo é que eu já passei dessa fase dos personagens, de não saber exatamente quem é ou o que esperar do mundo. E o livro é basicamente sobre isso, basicamente sobre ser você mesmo e se aceitar apesar de todas as esquisitices e Katherines que você já namorou.
Eu recomendo que leiam, de qualquer forma. Muito provavelmente a peça que falta do livro esteja no leitor e não no livro. E vocês não podem perder a genialidade do Hassam! Juro!
Classificação: Três gravadores 😛
Comentários
Bell

Codinome de Bárbara Morais, autora da Trilogia Anômalos. A quantidade de ideias que tem é inversamente proporcional ao seu tempo para fazê-las. Gosta de números tanto quanto gosta de letras - e jura solenemente não fazer nada de bom (enquanto estiver nesse blog).

  • Dayse D.

    aaww, Katherines é o meu preferido do John, pra falar a verdade.
    OK, vou explicar.
    Eu fiquei fã dos vlogbrothers antes de elr qlq coisa do John, antes de sequer saber que ele era um escritor. Então quando eu li Alaska, eu vi um lado do John que eu não conhecia. Porque nos videos ele é sempre engraçado e malucão e daí eles escreve um livro como LfA e a gente fica pensando "WOW. Eu nao sabia que ele tinha isso dentro dele." Que nem quando vc lê alguma redação de algum amigo seu qe parece ser idiota o tempo todo e a redação é simplesmente genial.
    Daí eu fui ler Katherines, parece que o John que eu sempre conheci estava ali do meu lado. Eu praticamente conseguia ouvir a voz dele narrando o livro.
    E eu prefiro livros que são mais dirigidos por personagens do que por acontecimentos. Eu tenho essa fascinação por pessoas. Esse é o estilo da Maureen Johnson tbm. São livros do tipo que quando vc vai resumir em voz alta pra algum amigo, parece a história mais idiota. Só dá pra ver o tanto que é ótima quando vc lê e vê as interações, os sentimentos, as piadinhas, etc etc.
    HOWEVER, essa foi a primeira vez que eu li uma review que não é completamente positiva sobre Katherines e não me senti ultrajada. Acho que os motivos que vc expos para não ADORAR o livro são válidos, logo as 3 estrelas são justas :)

  • Priscila Shibahime

    Nunca li um livro dele, QUE VERGONHA eu sei! Mas é só que os livros parecem... diferentes. Tipo, eu tenho a impressão de que cada livro dele vai acabar mudando você de alguma maneira. E eu não quero entrar em ressaca literária depois de ler um ): já entrei meio em depressão no fim da quarta temporada de doctor who (alguém aí concorda comigo que a série NÃO É MAIS A MESMA?? Ok, deixo isso pro post de doctor who)

  • Laura A.

    Eu nunca li nada dele, apesar de todo mundo falar como ele é um bom escritor e tal.Na verdade eu nem sei se tem algum livro dele em português,shame on me. Eu realmente quero ler um livro dele, acho que só não apareceu nenhuma oportunidade.

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