[pode conter spoilers, mas nada grave]

“Numa cidadezinha indolente do Condado, um jovem hobbit é encarregado de uma imensa tarefa. Deve empreender uma perigosa viagem através da Terra-média até as Fendas da Perdição, e lá destruir o Anel do Poder – a única coisa que impede o domínio maléfico do Senhor do Escuro”

Só abrindo uma nota: eu fico me perguntando qual é a reação de uma pessoa que nunca ouviu falar no Tolkien lendo essa sinopse. Sem fazer a mínima idéia do DIABOS que é um hobbit.
Eu ficaria tipo:

Primeiro eu tenho que dizer que, antes desse livro, eu não era nada fã de Tolkien. Eu tinha tentado ler Sociedade do Anel com 11 anos, e abandonei na parte do Tom Bombadil.
Meu pensamento na época: “Um cara que cria um personagem tão irritante quanto o Tom Bombadil não merece ser lido!”
Tá, eu devia ter continuado. Mas eu era só uma criança, gente!
Aliás, eu ainda odeio muito o Tom Bombadil. Ele é tão inútil que se você pular o capítulo dele, NÃO FAZ DIFERENÇA ALGUMA!
Experiência própria.
E alguém me explica o que DIABOS é uma “neneca”? [se você tem SdA em casa, confira as músicas do Tom Bombadil. Ele usa essa palavra o tempo inteiro.]

Na verdade, a história fica legal de vez na parte do Passolargo. Porque no começo só tem umas partes que são legais, tipo aquela cena que o Gandalf joga o anel na fogueira e conta a história do Gollum.
As cenas mais legais são as que o Gandalf aparece, se você for parar pra pensar.
Enfim. Depois que o Passolargo aparece, a história fica MEGA ÉPICA.
Todo o clima de “UHUL, SOMOS HOBBITS SALTITANTES. VAMOS CANTAR CANÇÕES COM PALAVRAS INVENTADAS” desaparece, e os quatro hobbits protagonistas percebem que o Anel é coisa séria, assim como os cavaleiros negros, Mordor, Sauron e etc.
Porém a narrativa de Tolkien continua tão descritiva quanto no começo, e transporta o leitor para a Terra-Média quase que literalmente. Ele quase vai te levando pela mão mesmo.
Aos poucos, tudo vai ficando mais sombrio. As canções felizes são substituídas por músicas que narram histórias tristes, e o entediante Condado dá lugar a cenários perigosos, como as Minas de Moria. De repente, o livro que era devagar fica rápido, e acaba te deixando desesperado pelo próximo volume.
Se você já abandonou SdA alguma vez na sua vida, eu aconselharia continuar porque o livro fica incrível depois da primeira parte.
Um pouco depois de eu ter terminado o livro, eu percebi que toda aquela parte entediante do Condado era só para fazer um “Vida Muito Chata do Frodo Antes do Anel” vs. “Vida Incrivelmente Complicada do Frodo Depois do Anel”.
É importante, porque muitos autores – mesmo grandes mestres -, se esquecem disso.
Outra coisa que eu acho única é que o Tolkien não mostra só os aspectos positivos de uma aventura, pelo contrário.
Apesar do Frodo ter conhecido lugares incríveis com seus amigos, ele daria tudo para voltar para o Condado e cuidar das suas flores.
O Anel é um fardo.
É uma abordagem completamente diferente outros livros de fantasia consagrados – e, na minha opinião, bem mais interessante.

Isso tudo sem falar que eu gostei muito mais do livro do que do filme. Não é porque a adaptação é malfeita – pelo contário, acho que é a melhor adaptação que eu já vi na minha vida -, só que eu não me dou bem com filmes longos.
Eu amo livros grandes, mas um filme com mais de três horas pra mim é o inferno. Desde criança eu tenho dificuldade de ficar muito tempo parada assistindo alguma coisa.
Livro é diferente, que apesar de você precisar se concentrar mais, você pode levar pra qualquer lugar e continuar a história de acordo com o seu humor. E você já viu alguém vendo filme aos pedaços, cada dia um trecho?
Sem falar que eu acho que a experiência dos livros é mais rica, de certa forma. Principalmente no caso do Tolkien, que tem uma narrativa extraordinária.

  QUE VENHA “DUAS TORRES”!