Ele é um cavaleiro alto e admirável, e esconde um segredo.
Ela é uma linda aventureira, com mais do que alguns poucos segredos a esconder também. Finnula precisa de dinheiro para o dote de sua irmã, e rápido.
O conde Hugo Fitzstephen, que está voltando das cruzadas para o seu castelo na Inglaterra, tem muito dinheiro, ouro e joias.
O que seria mais simples do que sequestrá-lo e pedir um resgate?
Principalmente se ele está tão disposto a se deixar apanhar por uma captora tão bela..
Bem, seria simples se Finnula não cometesse o erro de se apaixonar por seu refém, somente para descobrir que ele esteve mentindo sobre sua identidade desde o início. – assim como ela.
Agora, Finnula Crais está no céu… ou no inferno?
         ***

Eu gosto da Meg Cabot. Eu não sou megafã nem nada, mas eu gosto dos livros dela. 
Tudo bem que escrita dela pode encher o saco de vez em quando (principalmente os livros pra adolescente) e as personagens também (ALÔ, Princesa Mia) mas ela já escreveu vários livros ótimos. 

Liberte Meu Coração, por mais que não pareça muito, é um deles.

Não tem como negar que é um livro just for the fun, algo que você pode ler na semana de provas só pra se alegrar. As cenas/situações são surreais, e os personagens são incrivelmente caricatos – e isso não é uma falha, porque a Meg quis que eles fossem assim.
No final, é uma comédia romântica muito legal. Vale a pena mencionar que me pareceu um filme da Disney algumas vezes (só que para pessoas com mais de treze anos). O jeito cabeça-dura dos protagonistas totalmente me lembrou Bela e a Fera, e Pequena Sereia. É como se a Ariel se apaixonasse pelo Fera, na verdade. E o pior que deu certo!
Tem umas cenas um pouquinho picantes, mas não é excessivo. O romance tem um destaque muito maior.

Não se esqueça que Liberte Meu Coração é uma espécie de spin-off de Diário da Princesa, tecnicamente ele foi “escrito” pela Princesa Mia.
O livro também é pra ser um romance histórico, daqueles que você compra na banca do Seu Maxwell por R$9,95 e que a Tina Hakim Baba adora. A Meg já escreveu livros alguns livros desse gênero, por isso Liberte Meu Coração ficou bem caracterizado.
Na verdade, se alguém botasse uma capa de cartonado no livro e preenchesse o miolo de folhas de jornal, eu nunca suspeitaria que é dela.
Tá, talvez eu suspeitasse pelos momentos “Princesa Mia” da Finnula, tipo: “UHUL, uso calças de couro na Idade Média! Dane-se a sociedade e suas regras de vestuário!”.
Fala sério, isso é muito Princesa Mia. Não que isso seja uma falha, eu acho que entra mais na questão da caracterização do livro, já que a Mia é a “autora”.

Falando nisso, eu me irritei um pouquinho no começo da leitura. Eu tenho horror a romances que têm aquela heroína idealizada: branca, magra e aparentemente indefesa.Quando eu li a descrição da Finnula (ruiva, magérrima, olhos cinzas e linda de morrer) eu senti vontade de atirar o livro na parede. Sério, se eu não soubesse que o livro é da Meg, eu teria parado a leitura ali.
Ainda bem que a Finnula é uma protagonista forte, que não segue esse arquétipo tão irritante. Ela é independente, caça sozinha e, mesmo amando o Hugo, continua sendo ela mesma. Porque outra coisa que eu odeio são aqueles romances que a protagonista é toda kick-ass no começo, aí vem um homem e ela se torna totalmente dependente e conformada.

Acontece muito mais do que deveria, e em várias séries relativamente populares (desculpe quem gosta, mas Irmandade das Adagas Negras é um ótimo exemplo).
 Tudo bem que nós conhecemos a autora, e esse não é o estilo dela. Mesmo assim, é um mérito.

E o que eu posso falar sobre o Hugo?  Errr, aí está um homem que sabe tirar proveito das situações mais inoportunas, se é que você me entende.
Pra mim, ele foi a melhor parte do livro. O que eu mais gostei dele é que ele não é perfeito. Ele tem seus defeitos, de vez em quando acha que a Finnula devia se comportar como uma mulher “normal” – mas no fundo tem um bom coração, e a ama a Finnula pelo que ela é.

Ai, ai. Esse é o tipo de livro me faz acreditar no amor. Acho que essa é a grande qualidade de Liberte Meu Coração: te faz rir, e te dá vontade de viver um romance igualzinho ao da Finnula.

Um oferecimento da GALERA RECORD!