Quando Pegasus, o majestoso e mitológico cavalo alado, é atingido por um raio e cai em seu terraço durante uma violenta tempestade que deixa Nova York no escuro, a vida da jovem Emily transforma-se em uma lenda. Buscando ajuda para tratar os graves ferimentos de Pegasus, Emily recorre ao garoto estranho da escola, Joel. Trabalhando juntos, eles rapidamente descobrem que o cavalo alado tem mais do que ferimentos da tempestade… 

Então. O que falar sobre esse livro? Eu o comprei já algum tempo, numa tarde consumista dentro da Livraria Cultura.
Sabe, eu adoro livros de aventura, que misturam mitologia, elementos mágicos e personagens cativantes. E eu achei que Pegasus, com a sua sinopse confusa, mas razoavelmete promissora, tinha tudo para ser uma boa leitura. Eu também fiquei sabendo que os deuses eram romanos, ao invés de gregos, mas quase não faz diferença no final.

O livro não chega a ser um completo desperdício de tempo e de dinheiro. É um bom livro de avião, ou para ler na praia, do lado da piscina. Mas como qualquer coisa além disso, ele não serve.

É uma história meio surreal. Começa quando Emily, uma nova-iorquina de 13 anos acha um CAVALO ALADO na cobertura do seu apartamento.
Como nenhuma menina de 13 anos faria, ela se mantém calma, e finge para o pai que nada está acontecendo.
Foi aí que me ocorreu que eu só era um ano mais velha do que ela. E se achasse um Pegasus, a primeira coisa que eu faria seria gritar “MÃE! PAI! BELL! OLHA O QUE EU ACHEI, UM CAVALO ALADO CINTILANTE!!11!!1″.
Sim, sou esperta.
Emily continua sendo a Mary Sue perfeita, sem entrar em pânico nem questionar a própria sanidade, como qualquer pessoa normal faria. Mas o Pegasus está ferido, e ela, sozinha não consegue cuidar dele. Até que ela tem um lampejo de genialidade! “Opa, tem um menino na minha sala que gosta de desenhar o Pegasus no caderno.Vou convidá-lo para me ajudar.”

Errr… quem garante que ele não é só um menino que gosta muito de Cavaleiros do Zodíaco, ou sei lá, de Fúria de Titãs? Eu gosto de desenhar cavalos alados e unicórnios (Unicórnios. E DAÍ?)  no meu caderno.
E se aparecesse alguém dizendo que tinha achado um Pegasus DE VERDADE e que ele estava ferido e precisava da minha ajuda, eu sairia correndo e ligaria pra polícia.
Desculpa, Emily. Você é a esperta aqui.
Mas o menino é italiano e legal, então eu perdoo.Vou considerar que você só queria uma desculpa pra chamar ele pra sair.

Então, Emily e Joel (É, o nome dele é Joel. Só eu achei isso engraçado?) continuam sendo estranhos, até que Emily é atacada por uma estranha criatura de gosma.
Opa! Isso é legal. Então eu fiquei um pouquinho mais animada com a história, achei que ela dar uma melhoradinha.
Foi aí que o livro teve oportunidade de engatar de vez, mas por algum motivo, a autora preferiu continuar com o ritmo morno e meio sem-graça.
Após algumas situações meio inverossímeis, como quando Emily está ferida, e em três segundos, encontra um paramédico fazendo um piquenique no parque.
Sério. A autora realmente acha que isso acontece na vida real?
Tá bom, tá bom. A gente releva. De novo.

E eu não posso esquecer de mencionar que enquanto toda essa bizarrice da Emily está acontecendo, nós temos o ponto de vista de Paelen, um jovem olimpiano que caiu na Terra.
Ele é ligeiramente mais legal que a protagonista, mas continua meio opaco, 2D. Ele é sequestrado pela UCP, uma espécie de CIA que faz o controle de alienígenas e afins em NY, na base da porrada e da tortura.
Depois de algumas páginas, nós descobrimos que a UCP está atrás de Emily, seus amigos e seu pai. Mas os personagens são tão chatos que você nem se importa tanto quanto deveria. Até a Diana é meio chata, e ela é a deusa da caça.
Além disso cho que nem vale usar a desculpa que a autora é iniciante, porque, por exemplo, a autora de Hex Hall estava na mesma situação e se saiu bem melhor, apesar de todas as pequenas falhas no seu livro.
A coisa mais legal do livro provavelmente são os Nirads, umas criaturas de gosma mutantes que querem dominar a Terra. Mas infelizmente, a autora não dá o destaque necessário para elas, que iam deixar a história bem mais engraçada e com ação.
Alguns diálogos são meio bobões, tipo:

- Então o Pegasus está aqui mesmo!
- Sim, ele está… e precisa de ajuda!
- Então vamos ajudar! 
(Diálogo inventado que eu peguei da resenha dessa menina aqui. Mas é bem nesse nível mesmo.)



Temos um desfecho completamente previsível e chato, sem reviravoltas e uma moralzinha sobre amor e amizade. Fala sério.

E uma coisa me deixou irritada foi algumas pessoas dizendo que Pegasus era “Percy Jackson para garotas”. Quer dizer que uma garota tem que gostar de coisas fofinhas de “do coração”, sendo que a outra série tem tudo isso, junto com a aventura?

Só por que uma garota é a protagonista que o livro tem que ser cheio de lenga-lenga e babaquices? E o exemplo de Jogos Vorazes? De Valiant? De Feios? De Mortal Instruments? Morganville Vampires? Floresta de Mãos e Dentes? Wicked Lovely?

Isso é quase tão ruim quanto o que eu li naquele “O Maravilhoso Livro das Meninas” quando eu tinha 11 anos, que:

Os meninos gostam de fazer as coisas (ex: brincar, berrar, soltar pum, etc), e a meninas gostam de sentir coisas (ex: amor, felicidade, saudade)

QUEM FOI O BABACA QUE INVENTOU ISSO? Alguém fez uma pesquisa de opinião para descobrir isso? Por que ninguém perguntou o que eu acho. Nem outras mil meninas que eu conheço.
Por que as pessoas acham que todas as coisas legais devem ficar para os homens, e as chatas, para as mulheres? Por que um livro, por ser mais “mimimi” não pode ser chamado de “Percy Jackson mais emotivo” ao invés de “Percy Jackson para meninas”?!

ISSO É MACHISMO! MA-CHIS-MO!

Ai, ai. Mas o livro é até legalzinho, pra ler depois que as suas faculdades mentais estão cansadas após uma leitura muito metafísico e complexa.

Tá, como se eu lesse livros metafísicos e complexos. Enfim, é um livro pra descansar o cérebro e dar risada da tosquice alheia.