“Vocês devem ter ouvido falar de mim”….

“Meu nome é Kvothe, com pronúncia semelhante à de ‘Kuouth’. Os nomes são importantes, porque dizem muito sobre as pessoas. Já tive mais nomes do que alguém tem o direito de possuir. Meu primeiro mentor me chamava de E’lir, porque eu era inteligente e sabia disso. Minha primeira amada de verdade me chamava de Duleitor, porque gostava desse som. Já fui chamado de Umbroso, Dedo-Leve e Seis-Cordas. Fui chamado de Kvothe, o Sem-Sangue; Kvothe, o Arcano; e Kvothe, o Matador do Rei. Mereci esses nomes. Comprei e paguei por eles.”

“Em O Nome do Vento, o outrora lendário Kvothe narra a sua saga, começando da infância, quando sua família foi morta nas mãos do Chadriano, até a sua ida para a Universidade…” 
…*pausa mysteryosa*, ou: *se prepara que aí vem momento capslock*
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É MUITO BOM! É ÉPICO A NÍVEIS ALUCINANTES! É INCRÍVEL! VOCÊS DEVIAM TODOS MARCHAR ATÉ A LIVRARIA E BATALHAR ATÉ A MORTE PARA COMPRAR TODOS OS EXEMPLARES DISPONÍVEIS LÁ!

Ok, Cherry B. Respira. Vá devagar. Apresente argumentos. Vamos por partes.

Então, eu peguei esse livro emprestado amiga minha porque ela disse que “OMFG ESSE LIVRO É BOM DEMAIS!”. Ela falou, e falou, e falou por horas do livro – e, sabe, eu nem dei tanta bola no começo, mas aí ela mencionou o tipo de magia que os personagens usam no livro, que é… a magia dos nomes!!!

Aí você pensa: “Eeer… magia dos nomes?”

É, MAGIA DOS NOMES! POR ISSO QUE É “O NOME DO VENTO”, SACOU? Tipo, os magos – chamados de ARCANISTAS, eles até vão pra uma universidade mega batuta aprender magia -, além de várias outras coisas, sabem os nomes arcaicos das coisas. Entendeu? Sim? Não?

Por exemplo, a gente chama “pedra” de “pedra” – mas esse não é o verdadeiro nome dela. Se a gente souber o nome de verdade, nós podemos controlá-la como bem quisermos.


 “Mas o Grande Taborlin sabia os nomes de todas as coisas, de modo que
todas as coisas estavam sob o seu comando. Ele disse à pedra: “Quebre!”, e a pedra se
quebrou. A parede se rasgou feito um pedaço de papel e, pelo buraco, Taborlin pôde
ver o céu e respirar o ar adocicado da primavera.”



Esse pedacinho aí não é a história do Kvothe, é uma história que o pai dele contou quando ele era só uma criança. É UMA HISTÓRIA DENTRO DA HISTÓRIA! Na verdade, o livro inteiro é recheado de histórias “paralelas”, que os personagens contam – paralelas entre aspas, porque essas histórias se entrelaçam com o enredo principal, e tem tudo, tudo a ver com a história do nosso lindo, maravilhoso, tocador de alaúde e RUIVO Kvothe.

O livro inteiro é o Kvothe contando a sua história para um cara conhecido como “O Cronista” escrevê-la. Sua família – os Edena Ruh, que viajam por aí cantando e atuando, como ciganos – foi brutalmente assassinada pela organização do Chandriano, e a partir daí temos uma surpreendente história de vingança e mistério, que cresce e interage com as outras histórias que são contadas no livro. O que será o Chandriano, afinal?
Outro ponto muito legal da história é a Universidade, que se parece muito com uma universidade da vida real, com o detalhe que… *pausa* é uma universidade de magia! – ao lado, vemos o autor, Patrick Rothfuss, apontando seu livro divônico na prateleira de sci-fi/fantasia numa livraria. Ele também é ruivo, e parece ser um cara muito legal. –

E magia aqui tratada da forma mais científica possível, como algo acessível somente para mentes superiores. A magia aqui envolve matemática, química, física… quase como a alquimia! Nós vemos os amigos do Kvothe, que são uns fofos, nós conhecemos a Denna, o grande amor dele… isso sem se esquecer da ação, que preenche quase todas as páginas de O Nome do Vento.

Sem falar que narrativa é uma coisa de outro mundo, misturando poesia e ação na medida certa, de uma maneira tão vívida que vai te fazer sonhar com o livro. Tipo, literalmente.

Alguns leitores mais preguiçosos podem ficar com um pé atrás por ser um livro tão longo, e tão caro  (É R$49,00!)

1) com esse número de páginas, o precinho antipático é até justificável.
2) o livro é tão bom, mas tão bom, que quando chega o final, você agradeceria se o livro tivesse mais 700 páginas, só para ele não acabar!
 3) É uma série. Aí você pensa: “MAIS uma série?”. Eu já vou me defendendo falando que não é mais uma série, é A série. Uma trilogia, e sem nenhum perigo do autor dar uma da Cassandra Clare ou de Becca Fitzpatrick e ficar criando novos volumes. Não é como essesYAs que existem por aí, que foram feitos em um mês, tudo malfeito e nas coxas. O primeiro livro demorou SETE ANOS pra ser escrito! Sete anos!! Isso são quase duas copas! Duas eleições! Duas olimpíadas! Uma criança de sete anos já é quase adulta! (mentira).

Mas você entendeu o meu ponto. Com certeza o autor não vai gastar ainda mais tempo escrevendo continuações desnecessárias.

“Quando na lareira azula o fogo,
O que fazer? O que fazer?
Correr para fora e se esconder
Negros como o corvo os olhos dele a luzir
Para onde fugir? Para onde fugir?
Perto e longe se encontrarão. Logo, logo aqui estão.
Viu um homem que rosto não tem
Andar qual fantasma aqui e além?
Qual é o plano? Qual é o plano?
                                                          Chandriano. Chandriano.”

Veja também: a Nath, do Espada e Rosa te dá 7 (SEEETE!) MOTIVOS PARA LER O NOME DO VENTO