Antes de começar este post, gostaria de esclarecer que ele foi feito às 02:27 da manhã do dia 7 de abril enquanto o meu amado vizinho dorme como um bebê.

Vizinho dormindo como um bebê.

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Sim, estou dormindo com o meu Vizinho.

Estamos tão próximos um do outro que parece que dividimos tudo. É incrível né? Cada coisa surpreendente que acontece na nossa vida e só depois de um tempo começamos a notar! Por favor, não pare de ler este post só porque eu e o Vizinho estamos dividindo um quarto. Não é nada disso que se passa pela sua cabeça, não banalize as coisas com pensamentos sujos!

Certo, então eu e o Vizinho estamos dividindo um quarto, mas não fisicamente. O melhor a dizer é que dividimos um quarto sonoramente

Há poucos minutos,  eu estava sonhando e descansando profundamente no meu sétimo sono, quando um ronco me acordou de tão alto. Para ser despertada assim, uma bomba precisa cair ao meu lado e, mesmo assim, é provável que a minha única reação seja a de virar de lado, isso se eu sequer me movimentar. Sabe a expressão “dormindo como uma pedra”? Bom, a pedra tem insônia se compararmos os sonos. Falando assim, dá para imaginar o quanto aquele ronco estava sendo barulhento. Agora, considere o que acabei de te revelar e acrescente uma porta fechada e um andar de diferença.

Inacreditável!

O evento me deixou tão pasma que nem consegui me irritar e xingar até a 287326487364809842987462842° geração da pessoa que ressonava no pé do meu ouvido. Até que tentei voltar à terra dos sonhos, no entanto, era tarde demais para mim. Sendo assim, decidi caçar a origem do som como alguém caçando um tesouro ou como o Indiana Jones buscando sua Arca Perdida ou algo parecido.

Valéria Jones e o Ronco Perdido!!

Minha primeira parada foi a sala, onde minha irmã se encontrava (não é que ela ronque, mas a pobrezinha está com o nariz podre e, às vezes, isso é sinal de barulhos incômodos como fungar alto e roncar). Chegando na sala, encontro minha irmã dormindo silenciosamente – Deus abençoe o Sorine – e com a televisão ligada, que desligo antes de ir para minha segunda parada: o quarto da mamãe.

O quarto da mamãe é o lugar que procuro evitar ao máximo, principalmente, se a Senhora Minha Mãe estiver lá dentro dormindo. Se sou considerada agressiva quando sou acordada repentinamente, lembre-se que puxei isso de alguém e, bom, posso dizer com toda a certeza de que a aprendiz ainda não superou a mestra.

Ao me aproximar do cômodo proibido, percebi que a porta estava fechada, o que é basicamente um aviso de “Retorne Agora Enquanto Você Ainda Pode”, mas minha mãe ocasionalmente ronca e, se ela conseguiu me acordar com o barulho do ronco, considerei que  esse era um motivo válido o suficiente para arriscar minha vida.

Com passos de gatuno e dedos leves, criei caminho para a morte certa e rezei para que tudo desse certo e que eu pudesse ver mais uma vez o nascer do dia, mas pela fresta da porta vi um movimento inesperado da criatura esparramada pela cama e meu coração bateu mais forte e mais forte e mais forte… Apertei meus olhos de tanto medo enquanto tentava controlar o terror que se apossava de meu corpo, como um demônio possuindo uma inocente. Em questão de segundos, eu estava a um passo de desistir de encontrar a fonte do som que me importunava, só que a curiosidade era mais forte que o medo que me tomava. Segui em frente e viesse o que viesse, eu descobriria quem estava roncando tão alto. Mal contive minha surpresa ao ver a mamãe dormindo profunda e silenciosamente nos braços de Morfeu.

Mais uma vez me decepcionei ao não localizar de onde vinha aquele ronco alto, mas não desanimei e continuei com a minha caça ao ronco perdido. Encaminhei-me ao último lugar que pensava ser possível um ronco daqueles vir, os aposentos do meu irmão – aquele que ronca como um dragão com obstrução nasal. Lá deveria ter sido o primeiro lugar a ser investigado, mas onde estaria a emoção em procurar no local mais-que-óbvio? Gosto de emoções fortes e aventuras noturnas, não encarnei a “Valéria Jones” à toa.

Saí com todo a delicadeza possível do cômodo proibido e me dirigi ao quarto do Victor (meu irmão), certa da origem do barulho indesejado. Meu irmão ser o causador do meu despertar era tão lógico para mim quanto o céu é azul e dois mais dois é igual a quatro, porém confirmar não seria nada demais para alguém que já estava completamente acordada. Escancarei a porta do garoto sem nenhuma delicadeza e sem fazer nenhum esforço para ouvir qualquer som provindo do lugar. A primeira coisa que meus ouvidos captaram foi o ventilador girando de um lado para o outro e uma respiração pesada seguida de um… ai, céus, um ronco! Sabia o tempo todo que ele era o culpado… Meu próprio irmão, sangue do meu sangue, arrancou de mim a minha mais preciosa possessão: meu sono.

Traidor sem alma!

Naquela hora tive certeza de que ele planejara tudo aquilo, o menino tinha maldade correndo pelas veias e barbaridade no lugar dos ossos! No entanto, aquele era o meu irmão, e mesmo com todos os defeitos, sabia naquele instante ele precisava de uma segunda chance. Cerrei a porta e encostei meus ouvidos na madeira ainda não acreditando em tamanha deslealdade. No desejo de inocentar meu irmão de mim mesma, inconscientemente pensei o quão era engraçado o fato de que cada vez que me afastava do meu quarto mais o som do ronco se atenuava. Foi então que percebi o quão errada estava em relação ao Victor, apenas não queria aceitar que a última opção se concretizaria. Tive conhecimento desde o momento em que resolvi dar uma segunda chance à pobre criatura!

Aquilo era pior que um traidor do sangue.

Com passos rápidos, cheguei à entrada do meu quarto, relutando em entrar e confirmar a verdade mais cruel. Murmurava comigo mesmo e sacudia a cabeça desesperadamente, tentando afastar a realidade.

“Não… Não! Não pode… Não pode ser… Por favor, não….”, com suor em minhas mãos e a frenesi tomando conta de mim, “Seria possível…?Nãonãonãonãonãonãonãonãonãonãonão!”.

Minhas várias negações foram em vão, assim que me aconcheguei no calor da minha cama, ouvi aquele ronco  maldito tão alto que não pude fazer mais nada a não ser aceitar a verdade cruel: estava dormindo com o vizinho.

Quero dizer, estava praticamente dormindo com o vizinho. O homem roncava alto ao ponto de parecer que estava dormindo no mesmo quarto que eu, digo, que parece que ele está dormindo no mesmo aposento! Está sendo horrível e até para concentrar  para escrever este post é uma batalha!!

É assim que me sinto, juro!

COMO ELE AINDA ESTÁ VIVO?!?!?!?!

O HOMEM TEM UM ELEFANTE E UM ALTO-FALANTE DENTRO DELE! SÓ PODE! TENHO CERTEZA QUE ATÉ A MENINA POSSUÍDA DO EXORCISTA TERIA MEDO DESSE RONCO DOS INFERNOS! ALIÁS, COMO ELE É CASADO?! QUEM AGUENTA UM BARULHO INFERNAL DESTES?! PARECE UMA VACA MUGINDO POR SOCORRO, CAPETA!!!

Minha teoria é de a mulher dele o expulsou do quarto, porque sei que o deles fica no andar de cima e entre o da minha mãe e do meu irmão. Já ouvi coisas, lá em cima o gato mia e mia muito ou seria melhor dizer que… Ah, deixa quieto.

Alguém sabe como lidar com uma situação dessas? Não estou gostando nada de dormir com meu vizinho, o que a mulher dele vai pensar de mim?

Argh, essas coisas só acontecem comigo!

Talvez se eu enfiar um travesseiro na cabeça, isso passe. Tentarei dormir agora.

Boa noite e boa sorte (eu sei que vou precisar).