Ano: 1997
Língua: Português
Editora: Rocco Jovens Leitores 
Autor: Gail Carson Levine 



Toda menina espera um dia se tornar independente. No caso da jovem Ella, a protagonista desta história, esse é o seu maior desejo. Mas… ao nascer, recebeu como presente de uma fada o dom da obediência. Qualquer ordem que recebesse seria obrigada a obedecer! Se a mandassem pular de um m pé só por horas a fio, assim deveria ser; caso contrário, sentiria tonteiras e seu corpo quase explodiria.

Quando sua mãe morre, deixando-a aos cuidados de seu ausente e avarento pai, que, pouco mais tarde lhe dá de presente uma repugnante madrasta e duas traiçoeiras irmãs, a felicidade da jovem parece estar cada vez mais e mais distante.

Mas se você acha que Ella vai deixar as coisas correrem dessa maneira, se engana! A menina não tem nada de boba, e é capaz de enfrentar as maiores aventuras e trapalhadas para se libertar de seu terrível destino. 


Cinderella, por Howard Johnson
“Ella Enfeitiçada” é uma releitura bem diferente da história da Cinderela e, definitivamente, muito mais divertida! De início, nem dá para reparar que é uma releitura, porque o mundo criado por Gail Carson Levine é muito diferente do que lemos no conto de fadas original e do vimos no filme da Disney. Claro que existem fadas madrinhas, mas elas são como humanas só que com os pés pequeninos, com vida eterna e com restrições e discrições quanto ao uso da magia (pelo menos na teoria. Lucinda, a fada que deu o dom da obediência para Ella, gosta de se mostrar e usar excesso de magia); há também outros seres mágicos como gnomos, ogros, gigantes, elfos e incontáveis outras criaturas mágicas.


E bom, outro motivo para que eu não suspeitasse da releitura é que só um pouco depois da metade do livro que ele fica realmente parecido com o conto da Cinderela, quando o pai, que é muito egoísta e péssimo como pai (nunca imaginei uma Cinderela com um pai imbecil), se casa com a madrasta malvada e que trás consigo suas duas monstruosas filhas; e quando acontece algo mais para frente que não posso contar para não estragar a surpresa.

A mais criativa ideia de Gail em sua releitura é a maldição o dom da obediência de Ella que a impossibilita negar qualquer coisa uma vez que a ordenam. Se formos pensar bem, só assim para uma cinderela obedecer a ordens cegamente, porque nem Madre Teresa de Calcutá faria isso. E me parte o coração, a menina enfeitiçada ter que cumprir tudo, porque ela é muito legal e também, não consigo imaginar o quão ruim deve ser fazer tudo o que te mandam. Quase desisti da leitura de “Ella Enfeitiçada” de tanta agonia, mas acabou que a história venceu e não soltei mais o livro… Quero dizer, quase não soltei o livro. Quando Ella encontra Lucinda para que ela retire o dom (Ella passa boa parte do livro à procura de Lucinda, aliás), tive que soltar o livro por alguns minutos para respirar, porque aquela fada maluca é tão maluca que me deixou com muito ódio no coração. A criatura dá maldições horrendas dons absurdos para tudo e todos e acha que está fazendo um favor. Ai, que raiva!!!  

Depois que li o livro, percebi as incontáveis semelhanças com o conto de fadas, fora as já citadas, como: o nome de Ella ser o final do nome da Cinderela (ou “Cinderella” como no original); o nome do príncipe Charmont parecer com “charming”, tipo “Prince Charming” (Príncipe Encantado); uma fada madrinha apenas para Ella; os bailes que Ella deve ficar até meia-noite para não virar “gata borralheira”; as duas irmãs mongolóides; o fato de Ella ser órfã de mãe; uma madrasta traiçoeira… Hahaha! Agora que terminei de ler, né? Tudo faz sentido!

A Ella é minha personagem favorita de todas! Ela é uma garota super madura, inteligente e independente apesar da tenra idade de quinze anos e de qualquer maneira, ela também é minha favorita porque rolo de rir quando ela toda vez que recebe uma ordem, tenta distorcê-la da pior forma possível para mostrar insatisfação, mesmo que precise obedecê-la. 

Por que “Cinderela, Cinderela. Noite e dia. É Cinderela.” ? Quem já viu o filme da Disney deve conhecer a música que os ratinhos cantam que se chama “Cinderela, Cinderela”, esse é um trecho da música. Eles reclamam que todos só gritam o nome dela para dar ordens e achei essa música a cara da Ella. Confiram a música, se vocês se interessarem:


Acredito que, talvez, a maioria de vocês conheçam a história de Ella através da adaptação do livro para o cinema, chamado  ”Uma Garota Encantada” (2004) e protagonizado por Anne Hathaway e Hugh Dancy. O filme é bem divertido de se assistir, mas exagera quando mostra Ella de repente sabendo fazer tudo o que a ordenam. “Ella Enfeitiçada” é muito melhor que o filme, mas “Uma Garota Encantada” também tem o seu charme e é um bom entretenimento. 
Entretenimento familiar garantido! :D d

E como acabei falando do filme, acho mais que justo colocar o trailer do filme baseado no livro para vocês darem uma espiadinha, né? :)

Só por comentar mesmo, mas é muito difícil essa coisa do nome da protagonista ser “Ella”. Fiquei confusa na hora de escrever… Não sabia se escrevia “ela” ou “Ella”. XD