Ontem eu li uma notinha em um dos milhares de jornais que recebemos em casa e imediatamente eu pensei “Cara, isso é IGUALZINHO ao que o Capitol faz”. A nota dizia que a província da capital da Líbia e o exército de lá apoiavam o governo do Gadhaffi porque o governante dava benefícios e vantagens para esses moradores. A nota continuava, exemplificando com o fato de que semana passada todos os moradores dessa cidade puderam tirar 500 dinheiros deles (que era equivalente a mais de 600 reais nossos) do banco indepentende de terem ou não. Assim, ele ganha aliados na sua luta contra as outras províncias, em que até o exército se voltou contra ele.

Pensando sobre isso, cheguei à conclusão de que a Suzanne Collins é um gênio, por trazer de forma tão explicativa e fazer uma história que é tão atual quanto baseada na história passada da humanidade. Acho que isso quer dizer que ela conseguiu captar a essência humana nos acontecimentos dos seus livros e não podemos falar isso sobre todos os autores, né? Enfim, a seguir eu discorro sobre as semelhanças da história dos TRÊS livros de Hunger Games e tem SPOILERS. Leia depois da quebra por sua própria conta e risco.


Pronto?
LET THE ODDS BE EVER IN YOUR FAVOR.





Vimos os governos de vários países árabes cairem um a um, depois de revoltas populares motivada pelos jovens e articuladas pelas redes sociais. Foi um efeito dominó: a revolta de um motivou a revolta dos outros até que chegamos na Líbia. A Líbia tem o maior IDH da África e uma história de resistência às colonizações, dentre outras coisas. O Coronel Ghadaffi assumiu na década de 60, depois que uma revolução derrubou o rei, e fez uma série de reformas e nacionalizações que permitiram que a Líbia se desenvolvesse. Aparentemente, os protestos que surgiram pediam uma democratização do governo e foram reprimidos com violência extrema, desencadeando o que hoje se enquadra como uma guerra civil, com autorização da ONU para que outros países intervenham.

O Capitol controla os doze distritos com mãos de ferro e inclusive já destruiu um deles em uma revolta anterior (o falecido décimo terceiro). Existem pessoas insatisfeitas em todos os distritos, mas eles temem que a sua revolta seja o seu fim. Até que Katniss e Peeta ganham o 74º Hunger Games. Juntos. Depois de desobedecerem as regras. “Se for para um de nós vencer, é melhor que ambos morramos.”. Apesar de tentarem fingir que a desobediência da Katniss foi por causa do amor que sentiam, é óbvio para a maior parte de Panem que ela é uma rebelde. E assim, a Katniss serve de bucha de canhão para que a revolução exploda – um a um, começando pelo distrito 12.Um efeito dominó. Os únicos distritos que não se rebelam são o 2, que contém o exército de Panem, e o próprio Capitol, onde as pessoas vivem melhor e são alienadas pela política Panem et Circenses. O Capitol tenta contra-atacar e controlar violentamente as revoltas insurgem nos distritos com propaganda política e com a ação ostensiva dos Peacekeepers.

Panem é então afundada numa guerra civil depois de um estímulo e o Capitol tenta reprimir as ações rebeldes da forma MUITO violenta, acarretando em mais revolta e mais mortes. Nesse ponto, os rebeldes de Panem recebem uma ajuda de fora (que é dar spoiler demais, então vamos deixar por aqui, ok?) e só por causa dessa ajuda conseguem tirar os distritos das garras de Panem.

Vocês conseguem ver os paralelos com a Líbia? Assim como em Hunger Games, os grupos que estão interferindo com certeza tem interesses outros que não o “bem estar civil”. Por que é que eles intervém na Líbia com tanto afinco e deixam coisas piores acontecerem em outros países da África? Todas as vezes que verem uma notícia assim, pensem duas vezes. Nenhum país investe dinheiro numa guerra sem ter um objetivo bem delimitado. Nenhum país entra em uma guerra em nome da “liberdade” e da “democracia”, para proteger  os civis. E isso se aplica a Hunger Games muito bem. Uma revolta interna é uma coisa, mas a ajuda externa de recebem… quais os interesses maiores?

Não vou me estender mais. Já dei material para vocês pensarem e elaborarem teorias ou me xingarem nos comentários. Só queria terminar dizendo que para mim, qualquer leitura é aprendizado. Toda leitura tem reflexos de histórias, sejam pessoais ou não, e o leitor deve fazer essa ponte entre as situações reais e o que acontece nos livros. É assim que um livro muda a sua vida, indepentende do autor ou da história. É assim que cada livro que você lê forma um pedacinho de você.