Ano2003
LínguaPortuguês/Inglês
Editora: Objetiva (português) / Houghton Mifflin Harcourt (inglês)

Autor: Audrey Niffenegger

Nome Original: The Time Traveler’s Wife
Nome em Português: A Mulher do Viajante do Tempo


“Este livro narra a história de amor mais inusitada, contando sobre Henry DeTamble, um belo e aventureiro bibliotecário que viaja pelo tempo involuntariamente, e Clare Abshire, uma artista que tem a vida seguindo seu trajeto natural. O romance de Clare e Henry sobrevive e atravessa as areias do tempo da forma mais extraordinária e complexa possível, criando uma relação praticamente impossível, não fosse o distúrbio genético cronológico de Henry que viaja pelo seu próprio passado e futuro vivendo acontecimentos emocionalmente importantes em sua vida.


A doença de Henry é um grande empecilho para Clare, que tem que lidar com a ausência de Henry e os problemas ocasionados pelo distúrbio cronológico, e também é um grande empecilho para o próprio Henry, que tem que se reajustar a própria vida toda vez que viaja pelo tempo.”


Eu ri, eu chorei, me irritei, questionei a minha existência, me diverti, me encantei e eu chorei mais um pouco com a história de Henry e Clare. Não tem como evitar todos esses sentimentos ao ler A Mulher do Viajante do Tempo. 

O tempo não é uma medida. Um ano não conta, dez anos não representam nada(…)”
Rilke

Clare tem vinte anos e está completamente apaixonada por Henry desde os seis anos de idade e em uma visita a uma biblioteca, ela encontra o amor da sua vida e fica empolgada, no entanto aquele Henry, de vinte e oito anos, ainda não a conhece e se espanta com a intimidade com que ela o trata e pede para que ela vá devagar com ele, mas convenhamos, é difícil ir devagar com um cara que você conhece a vida inteira e é apaixonada. Como eu ri com o espanto do Henry e com a Clare estabanada. Depois de conversarem um pouco, os dois marcam de jantar em um restaurante tailândes onde Clare explica que o conhece desde pequena e que sabia que o encontraria em Chicago em dois anos, mas sem saber nenhuma circunstância sobre o encontro pelo qual sempre esperou. A partir daí, o casal engata um relacionamento no mínimo diferente.

É engraçado ver que Clare está apaixonada por duas pessoas que no fim são a mesma. O Henry de seu tempo é bem diferente do qual ela está acostumada, que é mais velho e bem mais maduro, mas ela ama os dois da mesma forma e é a coisa mais linda do mundo quando ele fala que eles precisam ficar juntos para que ele se torne o homem que ela conheceu. Tem uma hora que ele brinca sobre estar competindo com ele mesmo pelo amor de sua amada.

Henry passa por poucas e boas por conta de suas viagens repentinas pelo tempo e tem que lidar com a situação de ser um viajante do tempo. A viagens de Henry são engraçadas e desesperadoras, porque não pode levar nada consigo ao viajar pelo tempo, então ele aparece pelado onde quer que ele esteja. Por conta disso, ele teve que aprender a fazer coisas que no seu tempo certo não faria como: roubar, bater, correr, invadir casas… E Henry evita ao máximo de pedir ajuda a si mesmo depois de uma certa idade e contar o que acontecerá no seu próprio futuro, então, ele nunca sabe em que tipo de encrenca se meterá e o que acontecerá com si próprio. Tem uma cena que envolve Henrys de idades próximas, puberdade, um pai chegando mais cedo em casa e o Henry escondendo de si mesmo o seu  futuro, aquela passagem do livro é memorável.

“Quero lhe implorar
Para que seja paciente
Com tudo o que não está resolvido em seu coração e tente  amar (…)
Rilke




Por mais que as viagens de Henry sejam interessantes e que ele saiba de certas coisas do futuro, é muito triste você ver o quanto ele deseja ser apenas normal e viver uma vida tranquila ao lado de Clare e o quanto isso atrapalha o relacionamento dos dois. No prólogo do livro, você tem uma noção de como são difíceis as viagens de Henry e percebe o quão parte o coração de Clare o
fato de que ela sempre tenha de ser a pessoa que espera sem saber por quanto tempo e sem saber se Henry voltará bem de suas viagens, um dos maiores desejos de Clare é poder acompanhá-lo, mas ela sabe que é impossível, por isso ela espera. Clare espera por Henry por toda a sua vida de tão grande e forte é o amor entre eles, mas às vezes a espera é tão ruim que ela se desespera e briga com Henry, mesmo sabendo que não é sua culpa simplesmente viajar no tempo a qualquer momento, no entanto, o que marca Clare é que ela sempre está lá, brigando com ele ou não. Se ao falar isso, estou dando a impressão de que a personagem é uma chata que só fica plantada esperando o marido voltar, quero esclarecer que ela espera sim, mas ela sabe muito bem o que quer para si mesma e não é porque fica preocupada com Henry e sempre aguarda o seu retorno que vida dela para, não se engane com a Clare.

“Nada mais que possibilidades. Nada mais que desejos. 
E, de repente, ser realização, ser verão, ter sol.”
Rilke

Quem espera um livro que tenha um final feliz apesar de todas as adversidades que Henry e Clare tenham que enfrentar em seu relacionamento, sinto muito, mas este não é o livro certo para você. A Mulher do Viajante do Tempo não é sobre ter um final feliz e sim, uma vida recheada de felicidade. Quem se importa se o final não tenha sido feliz se você teve incontáveis momentos de felicidade em sua vida? Depois que li o livro, a primeira coisa que pensei foi, “Nunca, nunca, nunca, vou querer um amor destes da minha vida. É muito sofrimento”, mas depois que parei para pensar, realmente pensar, vi que eu passaria por tudo o que a Clare passou só para ter a alegria que ela teve junto ao Henry, mesmo com todas as brigas, os gritos, as revoltas, todo o sofrimento. Quer dizer, ser feliz não é apenas ter tudo lindo e de mão beijada, é superar obstáculos também.

O jornal Chicago Tribune escreveu a seguinte frase para A Mulher do Viajante do Tempo, “[...] uma crescente celebração da vitória do amor sobre o tempo”. Definitivamente, esta é uma das frases mais acertadas e que mais definem o livro.

Audrey, a autora, entrou na minha lista de autores favoritos com este livro, que também entrou nos meus favoritos para todo o sempre. A Mulher do Viajante do Tempo é um dos livros que mais recomendo a leitura, mas sei que muita gente vai odiá-lo por ser grande demais, por não ter nenhuma ordem cronológica, por usar demasiada descrição, por citar alguns grandes filósofos que muitos não tenham ideia de quem sejam, por parecer extremamente dramático. Sinceramente, espero não tê-los desanimado, mas ao mesmo tempo que vi que incontáveis pessoas amaram este livro tanto como eu, vi várias que o odiaram pelos motivos que falei acima (porfavornãosejaumadaspessoasqueodiouolivroporfavorporfavorporfavor!).

Em 2009, adaptaram o livro para os cinemas e no Brasil ele saiu com o nome “Te Amarei Para Sempre”. Gostei muito do filme e ele tenta ser fiel ao livro na medida do possível (superdica para quem já leu o livro: Cortez é um cara bem legal no filme, enquanto é um lixo-e-eu-queria-que-ele-morresse-uma-morte-terrível no livro =D). Ah é, eu assisti o “Te Amarei para Sempre” antes de ler o livro =)!

Deem uma conferida no trailer do filme:

Acho que alguns devem estar se perguntando sobre as frases que usei no meu texto… Bom, elas pertencem ao poeta austro-húngaro Rainer Maria Rilke. Eu acabei descobrindo a existência dele por conta deste livro e simplesmente me apaixonei pelo cara. Tenho certeza Audrey Niffenegger não o escolheu por um acaso. :)