Ano: 2009
Língua: Inglês
Previsão em português: Fevereiro/Março, pela Editora Underworld

Existem verdades simples no mundo de Mary:
A Irmandade controla tudo.
Os Guardiões sempre irão proteger e servir.
Você deve sempre tomar cuidado com a cerca que cerca a cidade, porque depois da cerca, só existem os “profanos” e a Floresta de Mãos e Dentes, para onde quer que se vá.

Mas Mary sempre sonhou com as histórias de sua mãe sobre o Oceano. E enquanto todas as suas verdades parecem desmoronar, o pior medo de todos se torna realidade. E ela deve escolher entre a sua vida e a vila, entre quem ela ama e quem a ama e entre sobreviver ou morrer. Será possível que só exista morte na Floresta de Mãos e Dentes?

Qual a sua opinião sobre esse livro?

Tocante. É a primeira palavra que vem na minha cabeça. Dizem que somente em situações extremas podemos compreender a natureza humana e seus sentimentos e esse é basicamente o caso. O mundo de Mary é cruel e sem perspectiva de vida. Já começamos a história de uma forma terrível e se você pegar esse livro pensando que “oh, está ruim agora para ficar fofo depois”, DESISTA. Não é uma história com um final feliz piegas ou um desenvolvimento cheio de mimimi.
“mimimi”, mas como não reclamar num mundo em que sua vida é TODA determinada numa série de regras impostas por uma irmandade religiosa? Como não sofrer quando toda a sua liberdade de escolha é tolhida em nome do “bem comum”, para aplacar a “ira divina”? E como não buscar respostas quando está tudo ali, na sua frente, mostrando que as coisas não são exatamente como querem que você acredite?
A Carrie Ryan faz um trabalho magistral em registrar os anseios adolescentes num mundo pós-apocaliptico. Mary vive cercada por regras e crenças, mas pensa longe. Sonha alto. Deseja o que não pode ter e isso – teoricamente – é o que trás a miséria para a vila dela.
Perguntaram para a autora uma vez  quando ela iria escrever algo “feliz” e sabe como ela respondeu?
Que para ela, “feliz” não significava ser transformada em vampiro e ter um filho e brilhar como purpurina no céu. Que ser “feliz” era sobreviver a um mundo brutal, injusto e continuar sabendo quem você é. Continuar humano, apesar de toda a desgraça. É conhecer o limite da sua força e sobreviver à todas as dificuldades. É saber o que quer e correr atrás disso, independente do que acontecer.
E é sobre isso que é esse livro.

Por que a classificação “Losing my Religion”?
Significa “perdendo minha religião” e é uma citação ÓBVIA à música do  REM. Significa perder tudo o que você acredita e o que se importa e a letra da música combina perfeitamente com o livro.
O livro é um “coming of age” no meio de zumbis, o que torna ele ÉPICO.

Qual(is) é seu personagem(ns) favorito(os)?

Todos, menos a Cassie. Cada um dos personagens apresentados é bem construído e a protagonista é muito interessante, pelo menos para mim. Mas a Cassie, amiga dela… talvez pelo que ela represente na história, a garota me irrita muito. Eu adoro os garotos, todos eles. Só me irritei um pouco com o irmão da Mary, mas não o suficiente para odiá-lo…

Qual é a sua citação favorita?

Who are we if not the stories we pass down? What happens when there’s no one left to tell those stories? To hear them? Who will ever know that I existed? What if we are the only ones left — who will know our stories then? Who will remember those?”

Em tradução livre:

“Quem somos nós se não as histórias que passamos adiante? O que acontece quando não sobra ninguém para contar essas histórias? Para ouvi-las? Quem irá saber que existimos? E se nós formos os únicos que sobraram – quem irá saber das nossas histórias então? Quem irá se lembrar delas?”



Classificação:
Cinco flechas do pior atirador de flechas da vila. 

Há também duas continuações, Dead-Tossed Waves e Dark and Hollow Places, embora NÃO sejam continuações diretas nem tenham os mesmos personagens. Isso não quer dizer que não se deva ler na ordem – personagens dos outros livros são citados. Além disso, a Carrie tem vários contos passados no mesmo mundo, inclusive um em Zombies vs Unicorns – Bouganvillea (leia resenha aqui!).

 Ou seja: mais uns 2 livros e posso colocar a Carrie no meu Hall de autores favoritos.