Hoje trazemos a segunda parte de uma análise (quase) sociológica da Blogosfera Literária pela P.h.D em nada, Dra. Alabama Jones. Alabama Jones já escreveu 2^n livros (sendo n o número de anos de atuação) e tem 5 gatos, 2 papagaios e um marido anão. Também foi companheira do Doctor (Who?) por uma temporada inteira e já viajou pelo espaço cósmico. Não segue o padrão ABNT e sim o Pós-Hipstolítico, que será o mais usado no futuro, da onde vem
Análise feita em 3 partes. 

2 – O Problema Sociológico

“O problema sociológico é sempre a compreensão do que acontece em termos de interação social. (…) O problema sociológico fundamental não é o crime, e sim a lei, não é o divórcio, e sim o casamento, não é a discriminação racial, e sim a estratificação por critérios de raça, não é a revolução, e sim o governo.”

Peter Berger, Perspectivas Sociológicas
É fato consumado que nem todo mundo tem as mesmas habilidades. Também é fato que nem todo mundo sabe que não tem certas habilidades. Conforme a dita Blogosfera Literária foi crescendo, mais pessoas quiseram fazer parte dela. As motivações são inúmeras e variam desde fazer amigos a ganhar livros de graça. Às vezes, são todas elas juntas. Às vezes, é só a aspiração pela fama e pela glória.
As coisas começaram a ficar perigosas. O que antes era uma sociedade alegre e feliz foi invadida por bárbaros que cometiam todos os tipos de atrocidades com a língua portuguesa ou que sequer liam os livros. Como diz o nosso querido Peter Berger, “Por trás das fachadas escondem-se mistérios sociais”. Alguns desses bárbaros acreditavam que a imagem era tudo e o conteúdo nada. Outros usavam de meios escusos (como sortear atores famosos!?) para conseguir mais popularidade e, assim, atrair a atenção das editoras para ter recursos para continuar com os seus meios escusos. Outros, ainda, achavam que o fato de fazerem parte dessa sociedade os tornava automaticamente membros maiores da sociedade maior chamada resto do mundo e lhes dava direito e exigir a propriedade alheia.
Façamos um paralelo com o Grande Império Romano. Começou como um aglomerado de reinos que foram unidos por Remus, o seu criador. Foi crescendo, crescendo, crescendo. Mas as disputas internas por poder e glória sobrepujaram o desejo de manter um bem maior e fragilizaram o Império, levando-o à derrocada final com os constantes influxos de guerreiros estrangeiros que queriam saquear um pouco da glória.
Estamos nos aproximando do ápice da blogosfera literária. A cada dia, surgem mais e mais blogs interessados em fazerem parte desse bolo. A cada dia, as editoras e autores recebem mais e mais emails demandando livros para análise e posterior divulgação, das mais diferentes formas. Em breve, chegará ao topo.
E depois disso, só a derrocada.
Várias pesquisas apontam que poucos são os blogs que sobrevivem mais de 3 meses. Assim como empresas, as dificuldades de manter este tipo de empreendimento são inúmeras. No momento em que se deixa levar pela onda, a pessoa não cogita o custo de oportunidade de ter que se dedicar a um blog. Não é fácil, não tem receita pronta e não dá para fazer por magia (embora Rita Skeeter tenha me dito que mantinha o dela dessa forma…). Também não é porque se tem um blog que se torna automaticamente um membro mais respeitoso da sociedade e isso te dá mais direitos. Muito menos dá o direito de ser grosso.
Uma das maiores reclamações ultimamente é a exigência. Alguns membros da Blogosfera acreditam que o fato de ter um blog permite que sejam mal-educados e grossos caso não gostem de algo. Acreditam, por mais absurdo que pareça, que as editoras e autores dependem deles para que vendam e acham que por isso, podem fazer exigências, tal qual um seqüestrador faria.
Além disso, existe outro problema: alguns leitores. Por motivos diversos, acreditam que todos os blogueiros fazem o que fazem pela glória e pelo prestígio e por isso, podem ser tratados como submembros da sociedade, sendo hostilizados e recebendo reclamações diversas. Percebam a discrepância de pensamentos? Enquanto alguns se sentem membros notáveis, outros pensam que eles são membros execráveis.  Isso é a natureza humana e o que torna esta análise muito mais interessante.