George Grant é um escocês típico. Cristão e herdeiro de um clã importante, ele vê a sua vida mudar drasticamente quando o seu navio naufraga em Fair Island, uma ilha nórdica esquecida por deus. Sua situação fica ainda surreal quando a filha do chefe local parece tentar desposá-lo a força…
Ulrika está numa posição difícil, até para uma guerreira como ela. Seu irmão Gunnar foi vendido como escravo, e ela precisa de dinheiro para comprar sua liberdade. O charmoso escocês que naufragou em sua ilha parece ser a solução para os seus problemas, se conseguisse se casar com ele, conseguiria dinheiro pra salvar o seu irmão. Um casamento material, de nome… Porém, o plano de Ulrika não corre tão bem quanto ela esperava, e questões mal-resolvidas de seu passado aparecem – enquanto ela se sente cada vez mais apaixonada pelo valente estrangeiro…

Esse foi um dos livros que sugeriram pra mim no post Beatrice Lê Bianca. Eu me interessei bastante pela história, principalmente porque é Vikings vs. Escoceses, ou seja: é duplamente épico. Apesar de eu adorar a Julia Quinn, a Celeste Bradley e afins, eu tenho uma predileção especial por histórias até o Séc. XVIII. É meio difícil de explicar, mas acho que tem alguma coisa a ver com os homens de kilt, hm. Ou então porque normalmente tem mais batalhas.
Então, eu procurei um pouco sobre esse Deusa do Gelo – que, pelos meus cálculos amadores se passa entre os séc. XIV e XV -, achei super-legal e resolvi baixar. Li ele todo em duas sentadas. Tem tudo que um livro de banca bom deve ter: ação, dilemas familiares, personagens divertidos e PAICHÃO AVAÇALADOURA.

A primeira parte do livro é divertidíssima, que mostra o George Escocês se adaptando em Fair Island, todo aquele choque cultural e talz. É engraçado também ver a Rika tentando laçar o George, como se não fosse nada demais, e ver ela toda envergonhada toda vez que a conversa ia para os rumos de South Carolina. Sinceramente, eu esperava um pouco mais dela. Pela sinopse, eu pensei que ela fosse bem mais madura. Na real, a Rika não passa de uma menina, e uma menina bem assustada. Na minha cabeça, eu esperava que ela fosse sei lá, muito mais Red Sonja, muito mais badass - que nem a Aaren de O Encantamento, da Betina Krahn (que eu recomendo muito, aliás). Mas isso é perdoável, já que a personagem cresce muito durante a trama.

 A Rika é uma personagem maravilhosa. Ela muito corajosa (e geniosa), tem a teimosia típica do herói, é superinteligente, e é uma daquelas que faria de tudo pra salvar a família e os amigos. A desconfiança e o orgulho dela me irritaram um pouquinho às vezes, mas são defeitos completamente compreensíveis, se a gente parar pra refletir sobre a personagem. Uma das coisas que eu mais gostei nela é que sempre que ela está espantada ela grita “Pelo sangue de Thor!”. Sério, acho que ela falou isso umas vinte vezes o livro inteiro.
O George é um fofo, é impossível não se derreter por ele. Apesar de não ser extragavante nem beberrão, o George é tão suspirável quanto outros moços da literatura de banca. Gentil e cavalheiro sem ser entediante, é muito fofo ver ele derrubando seus preconceitos cristãos quanto a cultura nórdica.
A leitura flui muito bem, é coisa de um dia, dois. O livro do meio pro final fica bem mais dramático, mas sem partir pro mimimi. Tem umas cenas muito fofas e emossionamtchys, que tocaram profundamente o meu lado mulherzinha. O George e a Rika são um casal muito lindo. Para o bem ou para o mal, a Rika mantém o seu orgulho viking em todos os momentos. Isso é uma coisa muito boa, porém eu gostaria de ver ela confiando um pouquinho mais no George. Eu sei que ela já sofreu muito na mão de homem, mas O GEORGE É DIFERENTE, SUA ANTA.

Enfim, me revoltei. Voltando ao normal, agora. O ponto mais forte do livro é que você aprende um mundo inteiro sobre cerimônias vikings, costumes, etc. E eu pesquisei um pouco na internet, tudo que eu li ACONTECIA DE VERDADE. Sim, o noivo devia pagar uma quantia para a família antes de receber o dote. Sim, o divórcio era permitido. Você aprende o significado das palavras byrthing, morgen gifu, taft… por aí vai…
Tem uma cena muito engraçada e trash, que acontece na noite de núpcias. Depois do casamento o George e a Rika vão pra cama, de boa, até que percebem que o vilarejo INTEIRO estava seguindo eles. O George pergunta o que diabos é tudo aquilo, e um deles responde que eles vieram “testemunhar o trabalho”.
Eu pesquisei e descobri que sim, os vikings faziam isso na vida real. Agora imagina como seria, você lá, se divertindo seu marido, e seus pais do lado assistindo tudo, como se fosse a coisa mais natural do mundo… (de fato, sexo é a coisa mais natural do mundo, mas mesmo assim, seria bizarro).
Nesse quesito, A Deusa do Gelo é imperdível. Vale totalmente a pena ler, nem que seja em e-book (como eu fiz). É um ótimo livro para ler nas férias, super leve, divertido e com uma ambientação histórica muito bem-feita.

VIKING APPROVAL!