Hilário e sincero: Hollywood, Charles Bukowski

“Henry Chinaski, escritor de meia-idade de relativo sucesso e com um público fiel, é contratado por uns bacanas de Hollywood para escrever um argumento cinematográfico. Entre eles está Jon Pinchot, um diretor visceral e incansável que fará de tudo para ver o argumento de Chinaski transformado em filme. O romance narra todas a produção do filme, desde as dificuldades para conseguir um estúdio que o aceitasse até sua estréia.”

Editora: L&M Pocket
Autor: Charles Bukowski
Preço: R$ 12,90

Qual é a opinião geral sobre esse livro?
Algumas pessoas têm a mania de pensar que Bukowski é uma coisa muito profunda e complexa, e que você precisa ser muito esperto para entender. É de fato, muito profundo, mas consegue ser ao mesmo tempo extremamente simples. Sem metáforas, sem alegorias. Só a vida real, uma boa dose de diálogos geniais e algumas reflexões pelo caminho. Vestido com seu alter-ego, Henry Chinaski, conta toda a experiência da produção de um filme – porque ele de fato escreveu um roteiro, para o filme Barfly, que tem a mesmíssima história da Dança de Jim Lee, o filme que aparece no livro –
Como todos os livros do Bukowski, Hollywood é um livro extremamente auto-biográfico. O autor mal se preocupa em trocar os nomes dos personagens – naturalmente, todos eles existem ou existiram na vida real -, e fala tudo o que pensa sobre eles. Tudo mesmo.
Chinaski  – ou Bukowski, como você quiser. – sempre sentiu aversão ao cinema, mas decide escrever só por causa dos vinte mil dólares que lhe seriam pagos. Seus fãs então começam a acreditar que Chinaski se vendeu, o que não é de todo mentira. Porém, boa parte da reflexão do livro se sustenta nessa questão: Chinaski conseguiria manter sua autenticidade mesmo trabalhando para Hollywood? Será que ele estava mesmo se tornando um velho chato? O Velho Safado estava finalmente tomando rumo pronto para renegar o seu passado errante? Parece que esse romance foi algum tipo de “resposta” para os leitores e para o próprio Bukowski, porque eu acho que ele próprio se sentia um pouco vendido. Apesar dessas acusações, a gente vê no livro o mesmo Bukowski de sempre: diálogos muito bem feitos, olhar crítico sobre tudo e todos (até sobre ele mesmo) e o mais fino senso de humor.

Por que a classificação “Hilário e sincero”?
A obra de Bukowski é, por definição, muito engraçada. São poucas as pessoas que têm um humor tão apurado quanto o dele. O livro conta vários episódios da produção do filme, inclusive os mais absurdos, como quando o estúdio que produzia o filme resolveu cancelá-lo, e o diretor, Jon Pinchot, mandou uma carta para o presidente do estúdio mais ou menos assim: “Prezado Sr. Presidente, se o Sr. cancelar a Dança de Jim Lee, serei obrigado a cortar os meus próprios dedos com uma serra elétrica e mandá-los diariamente pelo correio para o Sr., até que você mude de ideia. PS: Não estou brincando.”. A gente sabe que o Bukowski não ligaria de expor essa história para todo mundo, então a gente fica se perguntando se o Barbet Schroeder (o diretor de Barfly) realmente fez isso.
Outra parte que eu ri muito foi quando o Jon Pinchot vai morar na casa do Chinaski e da mulher dele e conta a história de como ele conseguiu o dinheiro para fazer o filme. Envolve um golpe numa mulher russa supostamente milionária, velhas russas taradas por pés e uma igreja.

Qual(is) seu(s) personagem(ns) favorito(s)?
O Jon Pinchot ganhou meu coração graças aos episódios citados a cima, mas eu também gostei muito do Chinaski e seus dilemas de meia-idade. Um personagem bizarro – mais um para a coleção – é o Poeta, que fica revoltado com o Chinaski por se “vender” para os holofotes malévolos de Hollywood e começa a grudar poemas de sua autoria na casa do autor. Também tem o Charles, que foi dividir a casa com o Jon Pinchot, num bairro barra-pesada. Charles criava galinhas e as tratava como se fossem filhas,  e passava o dia inteiro com uma vara enorme cutucando quem tentasse roubá-las.

Citação favorita: 
Existem várias, dá vontade de pegar uma caneta e quotar o livro inteiro, mas como eu sou muito preguiçosa, eu resolvi só pegar essa citação que já estava pronta em outra resenha sobre o livro: 
“Escrever nunca foi trabalho para min. Sempre fora assim, desde quando me lembrava: ligar o rádio numa estação de música clássica, acender um cigarro ou charuto, abrir a garrafa. A máquina fazia o resto. Eu só precisava estar ali. Todo o processo me permitia seguir em frente quando a vida oferecia tão pouco, quando a própria vida era um espetáculo de horror. Sempre havia a máquina para me acalmar, conversar comigo, me entreter, salvar meu rabo. Basicamente, era por isso que eu escrevia: para salvar meu rabo do asilo dos doidos, das ruas, de mim mesmo.”

Classificação geral:
Cinco garrafas de vinho, duas de vodka, cinco doses de uísque…

Comentários

4 ideias sobre “Hilário e sincero: Hollywood, Charles Bukowski”

  1. Eu ia comentar várias coisas sua linda Wicked Beatrice, mas … qdo constatei que vi Barfly, me senti tão … old, LOL.

    Então, não se sinta Tão mal com o "Garota de 14 anos comenta Bukowski". Eu tinha essa mesma idade qdo vi o filme.

  2. FELIZ ANO NOVO FLOR!!!
    *-*

    Felicidades Mil em 2011!
    Entusiasmo por todo ano de 2011!
    Liberdade de expressão e pensamento!
    Impulso para realizar seus desejos!

    Beijos!
    xoxo

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