O ano é 1914. Alguns países, conhecidos como Clankers, têm sua tecnologia baseada em máquinas grandes e pesadas, movidas à diesel.  Outros, os Darwinistas, usam criaturas modificadas em conjunto com máquinas para poder fazer as coisas do dia a dia.

 

Você alimenta suas máquinas de guerra ou as lubrifica?


As tensões entre esses dois lados cresceram enormemente nos últimos anos e, quando o Arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa são assassinados por (teoricamente) um terrorista sérvio, a guerra entre a Áustria e a Sérvia é como o pavil de um barril de pólvora, que inevitavelmente explodirá e causará uma Grande Guerra entre toda a Europa.

Nesse cenário, somos apresentados a Aleksander, o filho do Arquiduque. Durante a noite, ele é forçado a entrar em uma de suas máquinas para um suposto treinamento noturno, só para descobrir dias depois que é um fugitivo dentro de seu próprio país. Seu pai foi assassinado e, embora clamem que foi obra dos sérvios, eles sabem que tudo não passa de uma armação para dar motivo para uma guerra que era inevitável.
Do outro lado da Europa, conhecemos Daryn, uma garota que tem como sonho ser membra da aeronáutica inglesa e que para isso se disfarça de menino e toma para si o nome de Derek. Após um incidente em seu teste inicial, ela acaba sendo escalada para a tripulação da Leviathan, a maior aeronave da aviação inglesa.

Os capítulos oscilam entre o Alek e o/a Derek, cada um em seu caminho. Eu me perguntei VÁRIAS vezes por que diabos a história era dos dois, se eles não se encontravam?
Até que… algo acontece. E as coisas sobem do nível interessante para INCRÍVEL.
A coisa que mais me agradou no livro foi como o Scott consegue trabalhar aquelas ideias que estudamos na escola de forma sutil e envolvente, inserindo os Clankers e Darwinistas de forma que você chega a um ponto e pensa “Poxa vida, por que não foi assim?”. Não há como escolher um lado, na verdade. Clankers e Darwinistas são igualmente legais, por suas inovações e ideias.
Sobre o livro, ele é escrito numa linguagem simples e o Derek é uma das pessoas mais engraçadas. A coisa que ele mais fala é “barking (insira algo aqui)”, que é uma versão mais polida para “f*cking (insira algo aqui)”. Achei genial como ele se desenvolve e do medo constante que ele tem (o que aconteceria se descobrissem que ele é uma menina?).
Em paralelo, o príncipe Alek, o nosso Clanker, é um amor. Apesar de ter perdido os pais, continua firme e forte no seu caminho. É de bom coração e muito esperto. O seu grupo de companheiros também é muito interessante, mas vou parar por aqui se não darei mais spoilers.
A melhor parte do livro é a multitude de criações do autor. Você está lendo e PÁ, aparece uma criatura ou máquina nova. E em nenhum dos momentos você fica se perguntando o que é, porque ele explica. Além disso, as ilustrações são belíssimas e ajudam você a compreender direito o visual das coisas. Isso não quer dizer que o livro é enfadonho, pelo contrário. A história te conduz por águas conhecidas (o cenário do início da Primeira Guerra), mas os rumos que toma é inesperado.
Outra coisa que me chamou a atenção é a quantidade de conceitos biológicos, mecânicos, políticos e históricos que estão no livro. É uma história que educa, embora seja localizada em uma época passada e com a tecnologia defasada. Para mim, que já terminei o ensino básico, foi divertidissimo ver referências ao DNA, à cadeia alimentar e à conspiração que dizem que foi a primeira guerra. Para alguém que está aprendendo isso, deve ser mais legal ainda.
Apesar de terem 16 e 15 anos, os protagonistas agem de uma forma meio infantil. Pela situação em que se encontram e pelo que passaram, era de se esperar que tivessem um pouco mais de maturidade. Considerando que este é o primeiro livro de uma série, posso dar um desconto e esperar que eles cresçam durante o percurso.
O livro pode ser muito bem aproveitado por uma audiência de 12 anos para cima, porque sua linguagem é fácil e seu ritmo é frenético. Não compreendo porque foi classificado YA nos Estados Unidos, quando nesse aspecto é bem similar à Percy Jackson. Provavelmente pela idade dos personagens principais… vai saber.
Somando tudo, eu recomendo MUITO que leiam Leviathan. E que, se forem comprar, comprem o HARD COVER, que é um dos hardcovers mais bonitos que já vi na minha vida. Cometi o erro de não o comprar e agora me arrependo (porque, né, comprei FIRELIGHT que é ruim em Hardcover e esse não…).
Além disso, é uma série, como eu disse. Leviathan é o primeiro, Behemot o segundo. A teoria mais aceita é que o terceiro se chamará VIZ ou ZIZ, porque assim fechariam as três criaturas místicas citadas no livro de Jó da Bíblia. As três criaturas são muito presentes na arte judaica.

O Booktrailer é o mais legal que já vi!
Classificação geral: Quatro largatos comunicadores!
Não há previsão nem editora (que eu saiba) cotando para publicar esse livro no Brasil.