Eu terminei de ler os três livros de Jogos Vorazes no final do ano passado. Assim, na última semana mesmo.
Ao contrário do que algumas pessoas pensam, eu nunca fiz uma resenha do primeiro livro. A que temos aqui foi feita pela Larissa e todo o incentivo que dei para vários amigos foi feito via twitter, via msn ou pessoalmente. Então, quando eu terminei, pensei que devia uma opinião sobre a série em si.

Então vou fazer de forma diferente. Uma pessoa aqui encheu o meu saco e decidiu que seria melhor se ELE tomasse as rédeas então-

Caesar Flickerman: Muito bom, muito bom, senhorita Bell! A senhorita já pensou em substituir Claudius Templesmith como locutora dos Hunger Games?
Bell: Eu não tinha terminado, Caesar. Enfim, este é Caesar Flickerman, o homem que entrevista todos os tributos.


CF: Não só os tributos, minha querida. Entrevisto toda e qualquer pessoa que precise ser entrevistada. Esse é o caso. Como está, depois de terminar de ler os livros?
B: Bem. Assim. Só não me lembrar. Tenho essas crises quando me lembro de todas as implicações e tenho que correr para a minha fanfic.

CF: Fanfic?
B: Sim. Cometi o erro tolo de terminar de ler Last Sacrifice no Natal e logo depois ler toda a série de Hunger Games, o que praticamente destruiu meu coração nessa época que deveria ser tão feliz. Dada a insatisfação quanto ao fim de um dos personagens de Last Sacrifice, comecei uma fanfic dia 26 de Dezembro e foi ela que me manteve inteira após o fim de Mockingjay. Escrever é uma terapia, às vezes.

CF: Como você fala rápido, menina! Respire! Estamos colocando os pés pelas mãos aqui… Me diga, como você conheceu Hunger Games?
B: *senta na beirada do sofá, empolgada* Tudo começou em 2008, quando entrei no site da Stephenie Meyer e tinha um post lá dela falando que estava lendo Hunger Games com suas crias e eles adoravam, além de um link para o primeiro capítulo. Baixei, comecei a ler e achei legal. Aí, comecei a pesquisar sobre ele. Vi uma resenha do Stephen King e pensei “Olha só, ele xingou a Steph e os dois estão elogiando esse livro! Só pode ser bom!”, aí vi um monte de outras coisas legais do pessoal comentando e eu soube nesse instante que eu PRECISAVA ler esse livro, com todas as minhas forças.

CF: Aí você comprou e leu, em inglês?
B: Calma. Eu peguei emprestado com a minha amiga Larissa, a que fez a resenha para o blog. Aí quando viajei agora, comprei o box com os três. Eu nem gosto muito de Hardcover e estava esperando o paperback, mas o desespero foi maior.

CF: Minhas fontes dizem que você poderia ter lido Catching Fire muito antes do lançamento de Mockingjay. É verdade?
B: Sim. Eu começei a ler, na verdade. Só que quando cheguei no segundo capítulo, tive agonia e deixei para ler o livro junto com o último. Agonia é sinônimo de desespero. Como continuar a ler sem ter o último? Como sobreviver à espera pelo lançamento? Então, quando comprei os três, reli Hunger Games e li os outros dois.

CF: Conte-nos como foi reler a história do 74º Hunger Games.
B: Foi pior do que a primeira leitura. Da primeira vez, você não sabe o que vai acontecer, então fica ansiosa para continuar lendo. Da segunda vez, você JÁ sabe o que vai acontecer. E se sente impotente, tão vítima do Capitol quanto os moradores dos distritos, incapaz de fazer nada para mudar o destino cruel. É como se você fosse um dos telespectadores. Eu também sabia mais ou menos o que aconteceria em Catching Fire, mas, como sempre, fui muito surpreendida.


CF: Nós temos uma pessoa na platéia que quer fazer uma pergunta. Por favor, querida.
Kari: Você tem síndrome de Katniss, Bell?
B: O que é ter síndrome de Katniss, Kari? Se eu me ofereceria para ir no lugar da minha irmã para uma matança? Sim. Sem pensar duas vezes. Se eu faria o que a Katniss fez? Eu não sei. Não acho que eu conseguiria, na verdade. Tentaria sobreviver, é claro, mas não acredito que eu seja feita do mesmo material que ela. A Katniss é uma personagem interessante, porque ela é uma mistura entre o racional e o emocional. Durante a trilogia, isso vai se desequilibrando, mas a Katniss que entra na arena é uma que pensa exatamente no que vai fazer. Apesar disso, ela não sabe calcular as consequências dos seus atos. Ela é generosa e gentil, na essência, mas acima de tudo ela é uma sobrevivente. 

CF: Interessante, garota. Seguindo por essa linha, há uma pergunta que todos querem saber. Qual dos dois garotos que batalham pelo amor de Katniss você prefere?
B: Isso é tão a cara do Capitol, focar em romance quando não é o caso. A minha teoria é que não há um triângulo amoroso em Hunger Games. Isso tudo porque a partir do momento em que você NÃO TEM ESCOLHA, não tem liberdade, não adianta o que você sinta ou queira fazer. Com a ausência de escolhas, como considerar que os dois são opções? E é sobre isso que as pessoas deveriam refletir. Além disso, a autora passa uma mensagem muito interessante, que eu vejo que é ausente na maioria dos livros YA ultimamente: o amor é cativado. A Richelle Mead é uma das que também fala sobre isso e não é à toa que as duas estão no meu ranking de autores favoritos.

CF: Mas você não respondeu minha pergunta, garotinha.
B: *revira os olhos* Se você insiste, vamos lá. Prefiro o Peeta. No início, preferia o Gale, mas depois de refletir, cheguei à conclusão de que o Peeta é um melhor par para a Katniss e que ele é muito fofo. Normalmente, em triângulos amorosos, eu sempre gosto mais do cara que não vai ficar com a protagonista, embora torça veementemente para que o casal óbvio se desenvolva. Durante Hunger Games, a história foi bem diferente. Acima de Team Gale ou Peeta, eu era Team Stay Alive. Se eles ficassem vivos, eu já estava no lucro. Todos eles. Porque por mais que eu tenha odiado o Gale em Mockingjay, eu gosto dele. Gosto de todos os personagens. E eu queria que eles ficassem vivos.


CF: Hunm, então você é a favor do garoto do pão. Por que?
B: Ah, puta merda. Você vai continuar fazendo essas perguntas até eu responder direito?
CF: *dá sorrisinho sacana*
B: É simples, assim: não há nada que o Peeta não faria pela Katniss. Tenho certeza que não é o mesmo com o Gale. As evidências estão aí, mas são spoilers e eu não vou contar aqui. De qualquer forma, o Peeta possui características que completam a Katniss e que são muito atraentes. Um homem não precisa ser bad-ass (tipo o Gale) para ser interessante. O Peeta tem uma capacidade de seduzir com palavras, ele tem uma desenvoltura que nenhum dos outros personagens tem. Ele é muito inteligente e capaz, embora não no aspecto físico. É o que torna o relacionamento dele com a Katniss mais interessante ainda. Ele é um porto seguro, ele sabe exatamente o que dizer, na hora certa. Ele capta o que está acontecendo sem precisar de ninguém explicar. E é isso que me deixa fascinada.

CF: Temos outra pergunta da platéia. Querida, por favor?
LiviaConsiderando que a Katniss fique com o seu interesse amoroso favorito, você acha que ela vai ser o homem da relação?
B: *crises de riso* Se você considerar que quem irá colocar a comida na mesa é a Katniss e quem vai cozinhar é o Peeta, sim. E o Peeta sabe ser macho quando ele quer, ok?

CF: *enxugando as lágrimas de riso* Voltando ao normal, nosso tempo está chegando ao fim. Você tem algo a dizer para quem ainda não leu?


B: Sim. Quando estiver lendo, preste atenção em quais aspectos da nossa sociedade foram copiados e ampliados na escritura do livro. O interessante de livros assim é que são espelhos distorcidos da nossa sociedade. O que é importante não é o romance, não é nem se eles sobrevivem ou não. O importante é refletir enquanto se diverte. Quais dessas ações que vemos no livro que existem no dia a dia? Até que ponto é válido explorar o sofrimento alheio para a sua diversão?

CF: Isso é muito profundo. E chato. Ainda bem que essa entrevista acabou.
B: Obrigada por se mostrar um poço de compreensão, senhor Caesar. Você foi muito mais legal com o Peeta. *se levanta, irritada* Espero que tenham compreendido, apesar da falta de apoio por parte de nosso entrevistador. Procurei não dar spoilers e sim analisar a obra e os personagens. Qualquer análise adicional pode ser feita com parte dos comentário. Como, por exemplo, o Gale. Não o comentei aqui porque eu daria spoilers e não quero fazer isso.
CF: Pare de ficar tagarelando. Nosso tempo já acabou.

———- INTERFERÊNCIA————-