Bem, esse não é um livro de literatura, então o meu comentário não seguirá o padrão. Também não vou falar muito sobre a história, porque se você entrar no google em três segundos sabe mais ou menos o que ela vai contar. No final, esse é um apunhado de impressões que eu tive e reflexões que eu convido a todos vocês participarem.
Se vocês acharem muito chato esse meu lado analítico-economico-empreendedor, pule para o post de baixo!

Esse livro conta a história dos criadores do Facebook e de como o site foi criado. Deu origem a um filme, dirigido pelo David Fincher (de Clube da Luta, baby!) e com o Jesse Eisenberg (ah, você conhece ele) como o Mark Zuckerberg, o Andrew Garfield como o brasileiro Eduardo Saverin e o Justin Timberlake como o Sean Parker.
Só com esse primeiro parágrafo o livro me interessou porque a) gosto de ler livros que originaram filmes, b) é uma história REAL, c) o trailer do filme é INCRÍVEL e d) acredito que uma história dessas seja um retrato da minha geração.
E aí comecei a ler o livro…
Bem, o livro não é ruim, mas toda a impressão que dá é que as pessoas que criaram o Facebook o fizeram porque, oh, universitários só se interessam por transar. Foi uma coisa que me irritou bastante e acho que foi a abordagem do autor. Pode até ser verdade, mas pela forma que descrevem o Mark Zuckerberg, DU-VI-DO que tenha sido esse o objetivo dele. Ele parece ser aquele tipo de pessoas que quando coloca uma ideia na cabeça, a faz. Quanto a suas motivações, acredito que ele tenha tido uma oportunidade e a agarrado no momento certo, usando a sua vontade de vencer desafios como um propulsor para realizar uma tarefa elaborada que tinha a possibilidade de fazer sucesso. Ele é uma criatura ambiciosa, embora dê a impressão de ser na maior parte das vezes desanimado. É o mal de algumas pessoas, só se animarem quando há algo desafiador acontecendo em sua vida.
E é aí que entra o Facebook. É um desafio constante, algo que o faz ter motivação e acordar de manhã para inventar e fazer o que ele mais gosta, que é programar.
Enfim, o ponto forte do livro não é a forma que ele é escrito nem a abordagem (errônea, em minha opinião) que o autor dá, e sim a HISTÓRIA. O que aconteceu com os fundadores do Facebook te faz refletir sobre várias coisas, desde de propriedade de ideias (como impedir que sua ideia seja roubada? como saber até que ponto vai a inspiração e onde começa a cópia?) até a noção empreendedora. Além disso, vemos como é o mar do vale do Silício, com as grandes empresas como tubarõezinhos tentando engolir as mais novas.

Mas vamos por partes, ok?

Parte 1 – A escrita.

Ben Mezrich é formado em Harvard, então acho que o que ele fala de lá deve ser verdade, inclusive o Fuck Truck (ônibus que passa nas universidades ou dormitórios femininos, não me lembro). Então acho que ele matou algumas aulas para poder brincar lá, porque ele repete ideias várias vezes e inclusive passagens. Em alguns momentos, achei que estava tendo um dejavu de coisas que já tinha lido…
Ele escreve de uma forma que não me prendeu muito. Inicia explicando que ele tentou contar as coisas como foram contadas para ele, mas ele imaginou algumas partes. Usou artigos de jornais e entrevistas de fontes que pediram para permanecer anônima.
Óbvio que a história não será 100% verídica, mas você pode ver as coisas mais ou menos como são.

Parte 2 – A Vida Universitária e o Empreendedorismo
Confesso que fiquei um pouco chocada pelo número de vezes que o autor comenta no livro que existem milhares de universitários espalhados por aí tentando emplacar o próximo site famoso. Aliás, há um processo em cima do Mark Zuckerberg porque dizem os Winklevoss, universitários da época, entregaram um projeto de um site com uma ideia similar à do Facebook para Mark programar e em vez de fazer o deles, ele criou o seu próprio site. Fiquei chocada porque eu NÃO VEJO aqui no Brasil uma coisa dessas. Quantas pessoas vocês conhecem que querem abrir o próprio negócio, começar algo do zero? Quantas pessoas tem uma ideia genial e lançam no mercado, esperando ser o próximo sucesso?
Não precisa nem ser na internet. Onde está o empreendedorismo, essa vontade de criar algo e ser grande?
Eu não vejo. Não há uma cultura como essa no nosso país. As vezes você até tem uma boa ideia, mas há a preguiça de se informar, de levar ela para frente. Ferramentas para isso temos até demais (cito três, só de cabeça: na unb tem um departamento especializado nisso, o CDT; tem o SEBRAE e vários tipos de financiamento do BNDES), mas e a vontade? E a informação?
A história é um exemplo de como ser empreendedor. Há uma oportunidade, você a agarra e dá uma chance. Pode dar errado, mas pode dar MUITO certo, como foi o caso do Facebook. Duvido que quando o colocaram no ar, Mark e Eduardo soubessem que ele iria virar um monstro com mais de 550 milhões de usuários e escritórios espalhados por todo o mundo. DUVIDO.
Ainda assim, investiram tempo e dinheiro (mil dólares, que não é NADA para começar algo que ficou gigante e vale bilhões) em uma ideia que era basicamente unir as pessoas da faculdade num site online.
Pois é.

Parte 3 - Até onde vai a inspiração…

Como citei acima, o Mark Zuckerberg enfrenta um processo dos irmãos Winklevoss sobre cópia, etc e tal. O livro explica o que aconteceu, mas sem tomar partido. Cabe a você decidir: que lado está certo? Mark copiou ou não? O processo é sigiloso, então acredito que ninguém sabe o que a justiça decidiu, mas está aqui o que eu decidi, depois de ler:
Não há como assegurar que uma ideia não seja inspiração de outra. Não há como assegurar que ela seja mantida em sigilo. Quando se trata disso, você tem que depender somente da confiança. Os irmãos Winklevoss foram ingênuos de entregar a ideia do Harvard Connect para Mark sem nenhum contrato, mas o garoto parecia empolgado e disposto a trabalhar…
E aí ele aparece com o Facebook, uma rede social fechada inicialmente só para Harvard! OH, É UMA CÓPIA.
Calma aí, cara pálida. É como se alguém me chamasse para participar de um blog de literatura fantástica e eu abrisse um blog de literatura geral, depois que tivessem me convidado. Sim, a ideia de ser fechada para Harvard era a mesma ideia do Harvard Connect, mas o Facebook tinha (tem) muito mais do que ser só um lugar onde as pessoas poderiam ver a cara uma das outras e se tornar amigos. O Facebook tem INTERATIVIDADE.
Então, mesmo que, sim, a ideia seja parecida, não foi cópia. Foi inspiração. Aprimoramento. Eles deram uma ideia crua e o Mark cozinhou e transformou em uma receita. Não copiou nenhum código já feito nem nada.
Há alguma lei que impeça uma pessoa de fazer isso?
Acho que não.

Parte 4 – Traição, amizade e falta de respeito

Ah, isso é o que torna doce a vida. O fato de sermos humanos.
Se Mark Zuckerberg fez o código do Facebook, lá em 2003, foi Eduardo Saverin que deu o “capital inicial” para que o site entrasse no ar. Ambos começaram o site, trocando ideias. Tudo bem, Eduardo não deve ter escrito UMA LINHA de programação, mas sem esse dinheiro o site não teria ido ao ar e se tornado conhecido. Foi algo feito em conjunto, mesmo que tenha sido com uma quantidade desigual de trabalho.
Compreendo que provavelmente para Mark o facebook seja como um filho, mas existe algo chamado consideração. O que acontece é que ele foi diminuindo a participação de Eduardo na empresa enquanto este terminava o ensino superior. Quando o brasileiro viu, estava sendo expulso da sociedade e seu nome apagado da história do Facebook.
Agora o nome dele consta lá, porque ele entrou na justiça e tiveram mais processos sigilosos e ele foi readimitido na história do Facebook. É de deixar alguém curioso, né?
O que aconteceu? Será que Eduardo realmente é tão inocente quanto o livro retrata? Será que foram más influências que levaram a isso ou Mark é simplesmente um bastardo ingrato sem alma? Esse é o tipo de coisa que deixa alguém com a pulga atrás da orelha e que nós, meros mortais, nunca saberemos (a menos, é claro, que façamos algo que nos leve até lá em cima e etc, etc, etc)

Parte 5 – O FILME.

Bem, o filme. Acho que vai ser O filme, porque só o trailer já me deixou arrepiada. Além de ter um elenco maravilhoso, o diretor é fantástico e as críticas estão sendo muito boas, principalmente vindas dos envolvidos na história que é contada. Li o Eduardo Saverin comentando que não é o que aconteceu ou não que importa, e sim a mensagem que ele passa. Óbvio que tem coisa que eles inventaram, mas depois que o Mark Zuckerberg elogiou o Jesse Eisenberg (haha, um menino judeu interpretado por um menino judeu!) pela sua atuação como ele mesmo, minha vontade de ver esse filme aumentou para um milhão.
Não sei dizer se numa situação de uma história real transformada em livro e transformada em filme é melhor você ler o livro antes ou depois. Acho que os dois devem ser uma experiência conjunta, porque certamente o filme terá mais cenas e mais poesia do que o livro. No fundo, o legal era sentar duas horas com todos os envolvidos e perguntar “Aí, o que aconteceu?”, mas como isso não é possível…