Atenção: contém muitos spoilers  (não consegui me controlar, hihi)

Ok, a Bell já escreveu uma resenha super épica pra esse livro (tinha até uma historinha), mas ele é tão bom, mas tão bom, que eu me sentiria mal se deixasse passar em branco. E vocês sabem como eu sou preguiçosa com resenha,  eu só fiz mesmo porque é perfeito. Então, considere duplamente recomendado!

Gone é assustador. Eu já li vários livros de terror, que algumas pessoas consideravam aterrorizantes, mas na minha opinião, nenhum deles se compara a Gone.

Porque não tem nada mais assustador que a maldade humana, o lado negro das pessoas comuns, essas que você dá bom dia e boa tarde no elevador. E o fato do livro se tratar de crianças – porque, mesmo eu tendo a idade dos protagonistas do livro, eu admito que 14 anos ainda é criança – só é um agravante, porque todas as coisas horríveis que eles fazem nós esperamos de adultos, não de crianças. Esse aspecto do livro me lembra um pouco O Senhor das Moscas, aquele livro clássico dos garotinhos britânicos que ficam presos numa ilha deserta e em poucas semanas viram selvagens que não hesitam em matar uns aos outros.

Os personagens são muito bem-construídos e todos eles são perfeitamente encaixados na história, cada um é importante a sua maneira. Alguns livros têm disso, né? Um ou dois personagens deslocados, que só servem pra alívio cômico ou às vezes, nem isso. Em Gone, não. O autor realmente se importou em fazer as coisas parecerem reais, transformar tudo numa coisa 3D, o que causa aquela semelhança perturbadora com a realidade tipo “Oh meu deus, isso pode acontecer na vida real, tem um garoto que totalmente faria isso na minha sala”. E isso é o que um livro distópico deve buscar.

O protagonista, Sam Temple, também conhecido como “Sam do Ônibus escolar” é o menino que tem todas as qualidades de um bom herói, só que recusa esse papel. Talvez ele tenha medo de se embriagar com o poder que nem o Caine, o menino da Academia Coates, que aparece do nada e transforma o LGAR numa ditadura pessoal. O Sam é um cara muito legal – minha teoria é que todos os Sams são muito legais – mas quando o Caine começa a liderar e as coisas viram um inferno, realmente dá um pouco de raiva do Sam e você fica o tempo todo pensando: “SÉRIO que você não vai fazer alguma coisa! Vira macho!”

Mas, se o Caine é maluco, o Drake é vinte vezes mais. Ele é tipo um cachorro louco, que não tem nem noção de quais consequências suas ações vão ter nos outros. Aposto que muitas pessoas disseram que os comportamentos dos personagens eram inverossímeis por causa dele, já que é difícil imaginar um garoto daquela idade tão cruel e manipulador. Dois personagens que são muito marcantes são a Astrid Gênio – sempre tem a menina gênio – e o irmãozinho dela, o Pequeno Pete, que é o menino autista que tem o poderzinho de se teletransportar. Tem um negócio sobre o poder dele, envolvendo a usina nuclear, que me deixou completamente chocada.

Além da parte mais crítica da história, também tem aquele lado de ficção-científica, que eu achei muito bem feito. Seguimos pelo livro completamente cegos, cada vez mais curiosos com os novos mistérios que são acrescentados aos poucos. Eu gostei dos poderes mutantes legais, os plasma blasts do Sam e talz, mesmo dando uma vibe X-Men demais de vez em quando. E achei muito perturbador aquilo dos coiotes falantes – porque, além dos adultos terem sumido e as crianças terem ganho poderes, os animais também sofreram mutações – e morria de pena da Lana e do cachorro dela. Desse negócio de mutações, só achei bizarro o chicotinho sexy do Drake.

Enfim, Gone é um livro engenhoso, tão engenhoso quanto Jogos Vorazes ou Jogo da Velha, e quem já leu um desses dois livros sabe como eles são bons. Realmente, vale muito a pena. Se eu fosse você, ia agora encher o saco da sua mãe para ela passar na livraria e comprar Gone pra você. Pra falar a verdade, eu já estou querendo aprender a dirigir e criando umas noções de sobrevivência na selva para o caso dos adultos sumirem. Sabe, só por precaução.

 Mais um oferecimento de…

Galera Record! \o/