SIM, essa resenha demorou séculos, graças a minha turbulenta semana de testes, mas uhu, soltem os fogos de artifício: as provas acabaram! Então eu finalmente pude pôr as minhas mãos num livro, e o escolhido foi Guerra Mundial Z, que a Rocco deu para sacrificar a Odin fazer resenha! Divirtam-se :P

“A humanidade foi praticamente exterminada pela chamada Guerra Mundial Z, a epidemia zumbi. Para manter a memória do surto viva, algumas entrevistas e testemunhos foram reunidos neste livro, contando com detalhes como a maior ameaça biológica da história da humanidade trouxe o caos, o medo e a ignorância. E como alguns lucraram com isso.”

Qual é a opinião geral sobre esse livro?
Hm, vocês já devem ter percebido que eu adoro zumbis. Sou fã do George Romero e sou a correspondente oficial auto-nomeada de zumbis no NUPE. Já ouvi muito desse autor, estava ansiosa pra ler e… eu gostei e não gostei. É um daqueles livros que você acha um pé-no-saco quando você está lendo, mas que quando você para para pensar, faz todo o sentido. [O oposto desse tipo de livro são livros como Sussurro, que é legal quando você lê mas é grandesmerda depois]
Eu me arrastei bastante na leitura, e acho que metade disso é a tradução péssima da Ryta Vinagre, que sempre traduz a palavra pelo seu sentido mais estranho aos ouvidos, deixando o texto BIZARRO até quando é um brasileiro falando (Tem uma hora que é: “Eu morava no Rio, você acha que eu andava com o quê, pinto?” SIM, vocês leram certo. Era pra ser “porra” ou “caralho” só que por algum motivo rídiculo ela substituiu um palavrão comum pela palavra “pinto”.)  
Ok, deixando isso de lado, o maior problema do livro é ser enfadonho. De fato, é assustadoramente realista, mas segue aquele estilo de livro de relato sobre a Segunda Guerra Mundial. Sabe, aqueles que você fica enjoado na metade? Portanto, não é livro para se ler de uma vez. É o tipo de livro que você deixa bem uma semana na cabeceira da cama, para dar aquela folheada antes de dormir. Só cuidado para não ter pesadelos! Porque, apesar de tudo, é um livro MUITO bem feito. Sério. A maioria dos livros pós-apocalípticos contam a história de um só país, de só um grupo de sobreviventes. Esse não. Tem sobreviventes da Índia, da China, da África do Sul, do Canadá, da Rússia… diz o que cada país fez a respeito da infestação, as estratégias de sobrevivência, como o cruel e genial Plano Redeker… tudo isso com uma veracidade incrível, como se aquilo REALMENTE tivesse acontecido. É uma coisa assustadora.
Refletindo, vale a pena. Brinca muito com os clichês do gênero pós-apocalíptico, traz todos os elementos. Os soldados em trajes de bio-segurança, o paciente zero, a rádio que leva informação aos sobreviventes… É um mundo muito bem-construído, uma leitura diferente. Mas não espere algo engraçadinho e leve! Ok, eu ri em várias partes, mas não é um livro somente humorístico, apesar do que a capa sugere. É uma história crítica e sórdida, para reflexão, chegando até a ser densa em alguns sentidos.


Por que a classificação “pós-apocalpticamente épico”?
Oras, é um livro muito épico, no sentido ser intenso e é pós-apocalíptico. Então, é pós-apocalipticamente épico. (duvido que você consiga falar isso rápido cinco vezes seguidas)

Qual(is) seu(s) personagem(ns) favorito(s)?
ADORO o cara do Phalanx, que inventou uma vacina falsa e fugiu com o dinheiro de todo mundo para a Antártida. (Que babaca! auhaaha)
O Redeker também me chamou atenção, que não presta depoimento, mas inventou um plano maquiavélico de evacuação, que consiste em isolar as pessoas mais VIPs (ou seja, mais aptas. Seleção genética básica) e deixar a ralé nas zonas de perigo como uma “isca” para os Zs (nome para os zumbis na história)
Outra coisa esperta da Guerra Mundial Z foi a rádio Free Earth, bem mais fraterna, que lutava contra a ignorância, que transmitia informações corretas sobre os mortos-vivos. Sim, agora é a hora que vêm a sua mente aquela imagem clássica do sobrevivente agachado num local inóspito, ouvindo “This is John Connor, if you’re hearing this, you’re the Resistence!”
Também tem a moça ruiva traumatizada que tem capacidade de imitar um gemido de zumbi com perfeição, e o menino otaku japonês que virou um matador experiente. Ou seja tem todo tipo de gente.
Ah, tem um cara brasileiro até! Sabiam que os ianômanis sobreviveram ao surto por causa do pouco contato com a civilizaçao?

Nota para a capa:
Dois. É uma capa muito legal, atrativa, mas não ilustra bem o livro.

Citação favorita:
“Lembra quando começamos a ter nossos primeiros casos na América, que um cara na Flórida disse que foi mordido mas sobreviveu tomando Phalanx? OH! [ele se levanta e imita o ato da fornicação frenética] Deus abençoe o idiota, quem quer que ele seja.”

Classificação geral:
Quatro doses de Phalanx

(Só para não pagar de injusta: o negócio do pinto, apesar de esquisito, não é culpa da Ryta. É assim no original. Mas, como eu disse, esse não foi o único erro, e eu mandei para Rocco as passagens mais esquisitas)