Eu recebi esse livro faz um tempinho, da Record, para resenhar. Devido à provas e algumas coisas que vocês verão na resenha a seguir, eu demorei quase três semanas para lê-lo. Mas, enfim, terminei (na verdade, faz um tempo já, porque depois dele já li Sábado à noite e A Águia da Nona!).
Há alguns spoilers abaixo, mas, hei, é spoiler que eles dão na orelha do livro.

Editora: Record
Autor: Orlando Paes Filho
Angus MacLachlan (ou Seawulfsson, dependendo da parte do livro) é o filho de uma escota, Briggid, e de um colonizador Nórdico, Seawulf. O primeiro volume de sua crônica conta a história de como o seu clã recebeu uma incumbência que pode mudar o mundo. A história começa com Angus retornando à casa depois de 14 anos, assim como na famosa parábola bíblica, e reencontrando sua mãe. Ele então começa a conta o que aconteceu naqueles anos…
Passando pelas invasões nódicas à grã-bretanha e se juntando à Alfredo, o grande, Angus desempenha um grande papel como estrategista e se transforma em um grande aliado dos reinos saxões e celtas da grã-bretanha durante a sua jornada.

Qual é a opinião geral sobre esse livro?
Angus me lembrou muito as Crônicas Saxãs do Bernard Cornwell. MUITO. Mas era óbvio que iria me lembrar, já que se passa exatamente no mesmo período histórico. Inclusive, no livro Angus há a menção da queda do pai do Uthred… Talvez por isso eu não achei o livro tão mágico. É injusto comparar qualquer história à uma história escrita pelo meu autor favorito, porque nunca será tão boa.
Mesmo assim, Angus é uma boa história pros aficcionados em romances históricos como eu.[ Por romance histórico entenda "histórias baseadas na História, buscando um certo nível de veracidade, embora não exatamente corretos". Completamente diferente de Romance de Época, que é, por exemplo, histórias amorosas que se passam num tempo diferente do atual, com vários fatos (tipo blusas de poliester e salsichas) que são inverossímeis.]
A parte em que Angus ainda é nórdico, antes de sua conversão ao catolicismo, é muito interessante. Ela flui muito bem, mostrando a intriga e o funcionamento dos exércitos nórdicos, da diferença entre os vikings e os que colonizavam e, principalmente, da voracidade humana.
Aí vem a conversão de Angus… Céus. Um capítulo. Praticamente uma vida. Parece que o autor está tentando te converter junto com o padre que converte Angus. E é a impressão que fica a partir daí. Eu compreendo que é a mentalidade da época e que, sim, ficou muito mais plausível uma vez que nós sabemos os argumentos que levaram Angus a trocar de religião, mas é simplesmente IRRITANTE ver o monge Nennius tagarelando sem parar sobre as virtudes, sobre o pecado e tudo o mais.
O livro volta a ficar legal quando Angus começa a ajudar os celtas a se defender dos nórdicos, em busca de vingança (porque, segundo o Nennius, isso é justiça) e as batalhas recomeçam.
E aí fica BIZARRO demais quando Angus descobre que tem uma missão muito maior (que é spoiler e gancho pro próximo livro, acredito eu)…

Por que a classificação “Pregação Épica”?

Parece um livro de catequese para guerreiros. /prontofalei


Personagens Favoritos?
Gosto muito do Seawulf, pai do Angus. Ele é um cara que, ao meu ver, tem princípios. E, como o Angus diz, ele tinha “comportamento católico” mesmo sem o ser. Por comportamento católico, entenda: ele naõ era um bárbaro. Ele era racional, só fazia o que era necessário, tinha misericórdia do inimigo…
Do Owain, que treina Angus quando ele mais precisa e que é hilário! Hagarth, que acompanha Angus sempre que pode. E as gêmeas guerreiras de Gwynedd, a cidade das ruivas. Elas são guerreiras RUIVAS! Oi, Valkirias!!

Personagens detestados:
O Padre Nennius e sua falação épica. Angus, com a sua moralidade ingênua que dá nos nervos.


Classificação Geral:

Três chifres de hidromel – opa, não, três cálices de vinho santo.
(Até a classificação foi convertida depois desse livro.)




Oferecimento Épico da Record :D