Olá, cá estou eu, Elvis, de volta. Voltei para (pela primeira vez nesse blog) fazer uma resenha sobre um livro . Chama-se “Lucíola” e lá vamos nós.

Lucíola, de autoria de José de Alencar, é um romance romântico urbano (oi?) com alguns aspectos realistas (oi[2] ?) que data de 1862, ou seja, é um livro em prosa ambientado nas partes urbanas do Rio de Janeiro com as características básicas do Romantismo: idealização da amada, descrição, subjetivismo e nacionalismo; mas também há algumas características do Realismo, como análise psicológica e personagens esféricas (isto é, complexas, imprevisíveis).


Sou puta, mas sou puta rica e de classe

O livro é narrado por Paulo, protagonista da estória junto a Lúcia, uma prostituta cortesã do Rio de Janeiro. Paulo é um homem de classe média que vem do Nordeste para a capital do Império. Lá, ele é convidado por um amigo seu, Sá, a ir à Festa da Glória, onde uma linda mulher jove o atrai. Essa mulher é Lúcia, uma cortesã do Rio. Entretanto, Lúcia não é uma cortesã qualquer: é uma profissional do séquisso cortesã rica, disputada pela cidade, que mora numa excelente casa, como excelentes móveis, anda de tílburi, vai a teatros e festas; mas, como toda prostituta, é mal falada.

Nem é preciso dizer que o livro gira em torno do romance de Paulo e de Lúcia. Lúcia, a cortesã, vai se mostrando pura para o seu amor, Paulo. Lúcia, na verdade, tem um comportamento angelical, é uma mulher linda, perfeita, pura, inteligente (idealização da mulher); e Paulo, que já a aceitava sabendo que era cortesã, abraça-a mais ainda à medida que Lúcia vai se revelando assim. Têm uma bela história de amor, até que as más línguas se põem em ação sobre eles. E aí começa a verdadeira história, como eles vão se pôr em relação à sociedade e seu romance.


Tenho, na verdade, a beleza da pureza; sou Britney coisa nenhuma, sou Arte.

Dois pontinhos que quero ressaltar no livro:

I. A descrição. A descrição é uma descrição romântica do século XIX, então é cheia de adjetivos e palavras desconhecidas para nós; sobretudo quando se trata da mulher amada, Alencar não poupa vocabulário. E é uma descrição erótica nas horas que tem que ser e pura nas horas que deve: não igual àquela pornografia de Twilight (que, assuma você ou não, falar “o peito frio, duro e perfeito de mármore do Edward” e “os músculos muito definidos, na sua pele morena e forte” é meio caminho andado para descrever outras coisas) ;

II. A filosofia e crítica. Alencar trata de temas filosóficos nesse livro, como o que é a beleza, até quando se mantém a pureza. Além disso, ele critica a sociedade, como é visto quando fala das pessoas que comentam sobre Lúcia e Paulo e alguns burgueses, como Couto.

Bom, é isso. Se você gosta de romances românticos, leia-o; senão, leia-o também, eu também não gosto de romances românticos mas gostei bastante desse livro; ele surpreendeu-me. Outra coisa: se alguém for comprar, aconselho a comprar da coleção Travessias, da editora Moderna: ela vem com um pequeno texto falando sobre o autor, o Romantismo e o período hisórico, e, além de ter o obra integral com seu vocabulário original (com algumas grafias alteradas para serem adaptadas às reformas ortográficas pelas quais a língua passou), ela vem com algumas notas extras para a compreensão do livro: por exemplo, uma hora é citada a Ilha de Lesbos e, no rodapé da página, vem uma nota dizendo o que foi essa ilha. Concordo que é um pouco mais cara essa edição; todavia, obtém-se uma interpretação completa; para ajudar os que pretendem ler, a edição do livro que recomendei tem a capa mostrada no início desse post. Até a próxima resenha de livro.