Dia um: OMG, estamos morrendo de frio e eu já não sinto o meu nariz. E todo mundo usa mullet nessa cidade!

Quem me viu falando com a Bell no dia 11 pelo twitter sabe que o computador do hotel é um lixo e o teclado tá todo em espanhol,  então, nada de acentos. Porém, eu aprendi a usá-lo, então, here we go. =D
Ahhhh, Montevidéu. A cidade que mais venta no mundo (o brother paulistano do city tour disse que quando ele pegou um táxi, a PORTA foi levada pelo vento) e que concentra metade da população do Uruguai (a outra metade está em Punta Del Este) é muito chata.
Ok, talvez não tão chata assim, é bastante charmosa e os uruguais são muito legais, tipo, até no McDonalds a moça sorriu pra mim. E não é porque eu sou turista, porque quando eu sentei para comer e vi ela sorrindo para mais uma penca de gente. Na verdade, acho que eu estou na cidade que as pessoas mais sorriem umas pras outras, inclusive quando a gente faz coisas idiotas, como derrubar todas as antiguidades (na maioria, placas de carro enferrujadas, maçanetas quebradas…) do carinha da feira no chão e pisar em uma sem querer [fato verídico] ou fica na frente deles e não ouve o “permisso”.

Porém, se Buenos Aires é o rockstar, Montevidéu é o assistente de palco. NÃO TEM TÁXI NESSA P***A DE CIDADE! Se em BsAs você estende o braço e vinte táxis aparecem, todo mundo fala português e a cidade é cheia de gente descolada e endereços chiques e fashion, eu digitei “Montevideo alternativa” no google e tive 0 resultados. Ontem, o pior dia do universo, saímos do Mercado e estava chovendo, a rua estava com cheiro de mijo e o táxi era tão velho que via a hora ele empacar e nós sermos obrigadas a empurrá-lo até o hotel. Sério. E a calefação do nosso quarto estava quebrada e nós chegamos três horas da manhã, e minha mãe teve que vestir 19 camisetas, cinco meias-calças, três luvas, uma touca Bob Marley, quatro calças e seis cachecóis, e ainda ficou com frio. (acho que a essa altura já era psicológico, mas ela estava batendo o queixo)

Minha mãe.

Hoje, pegamos um city tour (coisa de turista, eu sei, mas NÃO EXISTE MONTEVIDEO ALTERNATIVA) com um brother narrando que parecia o Jamie Oliver depois de um acidente de carro envolvendo esticador de macarrão (ele tinha que se abaixar no ônibus) Descobri que as férias uruguaias duram míseras duas semanas, que o Reverendo Moon mora por aqui e que não se deve andar pela cidade à noite, nunca, nunca (me pergunto se Montevideu tem problemas com controle de strigois, porque o Jamie Oliver deixou esse ponto bem claro)
Encontramos alguns brasileiros nos ônibus, conversamos e nos reencontramos sem querer depois,
vejam como a cidade é uma bundinha.

Todas as crianças uruguaias tem o corte de cabelo igual ao meu. É sério. Tinha um menino gritando no café-da-manhã “medialunas,medialunas,medialunas,medialunas! ad infinitum”, qual não foi o meu espanto em perceber que MEU CABELO ERA IGUALZINHO AO DELE. Mais tarde acabei percebendo que TODAS as crianças na faixa dos 3 a 8 anos tinham o cabelo parecido com o meu e isso foi assustador.
Por outro lado, não achei UM cabelo Justin Bieber style mas o chitãozinho e xororó faz sucesso, nem no shopping. Os uruguaios são mais conservadores na hora de se vestir do que os brasileiros e argentinos, a Zara só tinha blusa branca, calça reta e casaco cinza. Alguns adolescentes fogem à regra, achei umas meninas com legging de oncinha, outra com uma blusa do David Bowie, etc, etc, mas a maioria vestia o uniforme básico: casaco da GAP, calça jeans e tênis adidas.

 perdeu, mané.

Fui olhar as poucas bancas, e fiquei espantada com a pouca quantidade de revistas e quase todas da Argentina. Tinha acabado de descobrir um defeito do povo uruguaio, que não tem o hábito de ler. No shopping, a livraria estava quase vazia, mas essa nem é a pior parte. Sabe quanto era um paperback da Agatha Christie em inglês?
Dez reais? Vinte reais? Trinta?
Não.
Quarenta e quatro reais um paperback da Agatha Christie. Sintam o drama. É de se jogar no chão e começar a chorar. (sem rasgar nada, os livros são muito caros)

perdeu também, coroa.

Na Ciudad Vieja, perto do hotel, provavelmente o lugar mais bacana que fomos, tem umas livrarias de arte e galerias, estou ansiosa para dar uma checada, porque os pedaços que visitamos pareciam bem promissores.

A aventura continua. É um lugar legal, mas não vou mentir, MAS ME SALVEM DESSA CIDADE SEM TÁXI QUE NEM NO CASSINO EU POSSO ENTRAR! (eu realmente queria pagar a despesa do hotel no blackjack, como a moça do salão de beleza da mamãe. Qual é o problema não ter 18 anos? estou a um passo de falsificar uma identidade, meus deuses!)

E eu não vi nada do Neil Gaiman. (chora)