“Dora sempre teve tudo que quis. Tudo que a preocupava era o que seus colegas ricos iam pensar. Uma menina fútil, egoísta. Um dia, seu conto de fadas perfeito vira pó: Seu pai perde o emprego, se separa de sua mãe e ela e o irmão vão viver num bairro de periferia e estudar numa escola pública. Dora se revolta e aos poucos vai  caindo no mundo duro das drogas e da miséria.”

Qual é a opinião geral sobre esse livro?
Não é nem um pouco tão foda quando Christiane F. (que por um breve período deteve a coroa de meu livro favorito), talvez por ser ficção e não ter o importantíssimo elemento David Bowie. É curtinho e vai direto ao ponto. A protagonista é um pé no saco o livro inteiro, você acha que enfrentando as ruas ela vai deixar de ser tão mimada e egoísta, mas jogue fora suas esperanças, isso não acontece. O meio do livro me encheu um pouco a paciência, porque ela comete sempre os mesmos erros que a Christiane F., que aparentemente todos os viciados cometem (Ah! Só uma cheiradinha, não faz mal). É uma boa leitura, principalmente para adolescentes, porque mostra a trajetória de uma viciada sem moralzinha e essas bobagens.

Por que a classificação “dorgada e prostituída”?
Oras, é literatura junkie. Ou seja, a moça é drogada e prostutuída.

Personagen(s) favoritos?
Como já disse, a protagonista é um saco. Eu adoro o Naldo, que é um doce, mas não consegue se livrar das drogas, do Tigre (apelido altamente brega, mas quem liga?), do irmãozinho dela e da Clarice, a mãe do Elias, que abriga a Christiane F Dora, por uns tempos. 

Recomendado para que faixa etária?
Apesar de ser um livro curto, obviamente não é para crianças. Eu não recomendaria para menores de treze anos, e mesmo assim pode ser traumatizante (ela ataca o prórprio padrasto com uma tesoura de unhas e se prostitui) para os mais bobinhos.

Classificação geral
Três Christianes F.

Citação favorita
Não sei se essa é minha parte favorita, mas é uma das partes mais punks do livro, junto com a que a Dora entra no carro daqueles marginais e quase matam ela.
“- Fica quito, puxa-saco! Ninguém está nem aí pra mim! Nenhum de vocês!
Emocionada com as próprias palavras, Dora chorava. Cleusa tentou acalmar os ânimos.
- Não é você que está falando. É a droga. Quando passar o efeito…
- Feche essa boca que você nunca me entendeu! – gritou Dora.
Paulo perdeu a paciência.
- Não fale assim com a sua mãe. Será que você é um bicho, que não tem sentimentos? Agora é comigo! Cadê a droga?!
- Ela bota debaixo do colchão. Eu vi. – avisou André.
- Vai tudo embora. Já! Você se cura, nem que seja a força! – rugiu Paulo.
Ergueu o colchão. Dora agarrou-se nos travesseiros, mas Paulo era mais forte e André ajudava. Cleusa soluçava alto. Desequilibrada, Dora caiu no chão. Paulo agarrou o pacotinho, foi para o banheiro. Quando ia atirar no vaso, Dora agarrou uma tesourinha de unhas e pulou em cima dele. Enfiou a lâmina nas suas costas. As pedras rolaram pelo chão. Paulo gritou, mais de susto do que de dor. A camisa empapada de sangue. Dora recolhia as pedras do chão rapidamente.
- Você não manda em mim! Você não é nada meu – ameaçava Dora, ainda de tesourinha na mão.
Apoiada no batente, Cleusa estava pálida.
- Vá embora, Dora.”