Antes da resenha, vamos à minha revolta:
Se H não tem som, porque essa droga desse autor tem um nome com um H depois de um N!?!?!? Só para complicar a vida de nós, mortais!
Eu já tinha visto o filme e estava com o livro na minha estante para ler a algum tempo. Minha amiga me emprestou dizendo “leia, é ótimo.” A amiga em questão viu o filme comigo e gostou mais do filme do que eu. Não que eu não tenha gostado, eu gostei, mas não foi o tipo de filme que vira o-melhor-filme-do-ano . Tudo bem.
Alguns anos se passaram (anos, no plural!) e eu finalmente criei coragem para ler o livrinho que tem pouco mais de 200 páginas. Ok, confesso que não sabia o que me esperava, então me surpreendi bastante!
O Leitor é narrado por Michael, contando como conheceu Hannah e como ela marcou a sua vida. Hannah é 21 anos mais velhas que ele e eles vivem um caso peculiar durante o verão dos 15 anos de Michael: todos os dias, eles tomavam um banho, ele lia uma passagem de um dos seus livros da escola e finalmente se entregavam um ao outro. Anos se passam e Michael reencontra Hannah no banco dos réus, sendo julgada por crimes que cometera durante o regime nazista. Assim, sua vida fica conturbada mais uma vez pela presença enigmática daquela mulher com traços duros e modos esquisito…

O livro é ótimo, ótimo, ótimo! Narrado em primeira pessoa, é sutil e doce, ao mesmo tempo que é bastante direto. Não há nada no livro que não tenha o seu lugar, não há enrolações, só a história e ponto final. O Bernhard Schlink orquestra os seus elementos de forma a passar os sentimentos que Michael sente: melancolia, na sua adolescencia; confusão, na sua juventude e a tão merecida paz em seu amadurecimento. Há também uma observação da sociedade alemã pós-guerra, dos sentimentos dos jovens e do conflito de gerações. Michael comenta que todos se sentiam intensamente envergonhados pelo holocausto e acabavam culpando-se uns aos outros. Durante seu julgamento, Hannah pergunta mais de uma vez “O que você faria no meu lugar?”, extravasando a pergunta ao leitor. O que se poderia fazer na situação dela?

Além disso, o autor consegue retratar de forma emocionante o orgulho e a reluta de Hannah em admitir que tem alguma dificuldade. A sua vida toda foi construída para não ter que revelar o que é óbvio desde o início e tudo gira em torno desse problema. A forma como Michael a ajuda é belíssima e o desfecho, emocionante.

Como sempre, o filme consegue transmitir alguns desses aspectos, mas não muito. A Kate Winslet está ótima como Hannah e o Michael novo também – só o Ralph Finnes (por incrível que pareça!) não correspondeu às minhas expectativas quanto ao Michael adulto. O trailer está aí embaixo para quem não viu. Vale a pena, se você gosta de livros do estilo.