(resenha feita em 15/03)

O que você daria para ser aprendiz do Leonardo da Vinci? É, exatamente, o gênio renascentista que fez trabalhos na área de arquitetura, engenharia, pintura, escultura, anatomia, geografia, medicina… Vocês entenderam né?

Mas e se você acaba sendo ajudante dele por que está fugindo do seu destino? E se você guardasse um segredo tão terrível que acabasse destruindo a vida de todos ao seu redor?

É exatamente nessa situação que Matteo, o protagonista de O Selo Médici, vive. Na sua infância, fugindo da morte eminente, acaba sendo salvo por Leonardo da Vinci e seus ajudantes e é cuidado por eles. Em retribuição, compoe o séquito do Maestro e acaba aprendendo muito no processo, além de conseguir oportunidades que um menino como ele nunca teria. Mas Matteo guarda um segredo terrível… e um rastro de destruição o segue de perto. Quanto mais o garoto foge, mais terrível os acontecimentos se revelam.

O Selo Médici é um livro que nos guia pelas estradas tortuosas da Itália renascentista. Lembrando que nessa época a Itália era composta por vários reinos, vemos as tentativas sucessivas de unificação. Além disso, observamos as influências da Igreja Católica (que são cada vez menores) e o nascimento de idéias que revolucionariam o mundo. O livro é recheado de figuras histórias – Leonardo, Machiavelli, César Bórgia, Michelangelo – que desfilam pelas páginas exercendo seus papéis magistralmente. A autora consegue nos transportar para a época e atiçar a nossa curiosidade, fazendo um relato dos personagens verdadeiros tão próximo que parece que você toma chá todo dia com eles.

Outro aspecto interessante foi como a autora conseguiu colocar algumas idéias que são dadas como “verdadeiras” hoje no pensamento das pessoas que estavam na vanguarda. Leonardo dá a voz a muita coisa em que acreditamos hoje e combate a crendisse popular com o racionalismo, exatamente da forma que estudamos na escola. Até mesmo alguns religiosos – como um padre e uma freira que ajudam Matteo – apresentam idéias revolucionárias em relação à tratamentos médicos. O personagem principal se interessa muito pela área médica e vemos ele tratando pacientes com uma eficiencia que era fenomenal para a época.

Apesar disso tudo (ou por causa disso tudo), o livro tem uma narrativa lenta. O selo, referido no título, é mencionado algumas vezes. Apesar de ser o que impulsiona a história, somente nas 50 páginas finais descobrimos o mistérios por trás do dito selo que trouxe tanta desgraça para Matteo e seus amigos. Por isso, o livro parece ser interminável. Mesmo com todas as curiosidades, com todo o cotidiano, falta um pouco de ação. Também achei que as descrições de batalha são muito pobres e parecem até serem amadoras. Tudo bem, estou acostumada com o Bernard Cornwell, mas foi muito frustrante para mim a confusão que a batalha que Matteo narra se tornou.

Achei que foi meio esquisito colocar o nome de “Selo Médici” sendo que a maior parte da narrativa é o dia a dia. A autora foi muito infeliz ao fazer o ritmo da história, tornando-a cansativa para um leitor menos interessado em história. É épico, sim, mas não o suficiente para fazer ressoar as trombetas de Gondor.

Imitando a Angel Sakura, para um leitor comum, é um livro 3 estrelas. Faltou a calda e o creme para coroar esse sorvete épico.